Olhos atentos, sorrisos de ponta a ponta. A alegria das crianças que moram no bairro Dom Aristides, em Marituba, só não era maior que a ansiedade pela chegada do Papai Noel que, pela primeira vez, fez a festa com a distribuição de presentes, brincadeiras e lanches.
Foram quase 2 horas de espera. Logo que desceu de um carro preto, o bom velhinho foi cercado por meninos e meninas, de várias idades, que queriam abraçá-lo.A manicure Nádia Vasconcelos, de 34 anos, aproveitou para levar os dois filhos, de 11 e 12 anos. Para ela, a oportunidade do Natal Solidário veio em boa hora. “Não estou em condições de comprar nada esse ano e isso aqui acaba sendo um agrado pra eles”, disse. “É uma oportunidade para se reunir e se divertir”, acrescenta.
O pequeno Matheus, de 4 anos, foi levado pela mãe, a dona de casa Márcia Silva, de 24 anos. Ela disse que está desempregada, assim como o marido, e aproveitou a chance de alegrar o único filho. “Só assim ele se diverte um pouco e ganha um presentinho no natal”, completa. A ideia de levar o Natal Solidário às crianças daquela comunidade foi da representante comercial Jeniffer Vilhena, em parceria com Cris Castro, divulgadora de festas e que realiza trabalhos solidários em Marituba. De acordo com Jeniffer, a ação natalina acontece há 5 anos na Grande Belém e começou com duas famílias, como pagamento de uma promessa. Hoje, atinge milhares de crianças.
“Prometi que, se conseguisse me estabilizar no emprego e mudar de casa, ajudaria todos os anos crianças carentes. E assim aconteceu”, conta. Devota de Nossa Senhora de Nazaré, Jeniffer afirma que as bênçãos alcançadas são usufruídas pelo marido e o casal de filhos, que a acompanham em todas as ações.
EMOÇÃO
Este ano, já foram mais de mil brinquedos distribuídos. Além da comunidade de Marituba, a Casa da Criança e a Comunidade de Santa Bárbara também foram beneficiadas. A ideia é que nos próximos anos, cestas básicas também sejam distribuídas. Para isso, a idealizadora da ação conta com recursos próprios e a ajuda de alguns amigos. Diante da felicidade daqueles pequenos, Jeniffer se emociona. “É indescritível! Não tive infância. Sempre esperava por momentos assim para eu ganhar um presente de natal. Quando eu olho para essas crianças, eu me vejo nelas”, descreve.
Já para o animador de festas Wagner da Silva, de 28 anos, que se veste de Papai Noel há 5 anos, “a recompensa vem do sorriso da criança, que vale mais que dinheiro”.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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