A história dos 400 anos de Belém começa na Cidade Velha, onde a capital paraense foi fundada, a partir da Rua Siqueira Mendes. É neste bairro que se pode encontrar um dos símbolos mais representativos do município: os azulejos europeus. Originárias de países como Portugal e Alemanha, as peças chegaram por aqui no século XIX e têm estilos variados, algumas pintadas à mão, outras parcialmente ou totalmente industrializadas.
“O patrimônio azulejar presente na Cidade Velha é importante sob o ponto de vista histórico, arquitetônico e cultural, pois mostra a presença de outros países na nossa cultura, durante o ciclo da borracha”, explica a arquiteta e urbanista Adma Lopes. Segundo ela, esse patrimônio, presente em inúmeras edificações coloniais do bairro, faz parte de um inventário realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-Pará). “As fotografias estão catalogadas, existe todo um trabalho de registro. Isso é importante e precisa ser perpetuado”.
Toda essa beleza arquitetônica e importância histórica levou a representante do Movimento Cidade Velha-Cidade Viva, Dulce Rocque, a preparar uma homenagem especial para a capital: camisas com estampas de azulejos encontrados no bairro. Bonitas e criativas, a produção por encomenda oferece 3 modelos, com fotografias de Marco André Costa e Celso Roberto.
ESTAMPAS
As estampas são de azulejos encontrados em locais imponentes, como o Palacete Pinho, construído em 1897 e tombado pelo patrimônio histórico. O prédio tem peças em estilo eclético vindas de Portugal e da Alemanha. O Instituto Histórico e Geográfico do Pará, datado do século XVIII, também tem seus belos azulejos retratados em uma das camisas. O mesmo ocorre com outros casarões localizados na travessa Marquês de Pombal, rua Tomázia Perdigão – a 1ª e única rua com nome de uma mulher no bairro –, rua Siqueira Mendes – onde antes existia a fábrica do guaraná Soberano –, e ruas do Aveiro, Dr. Malcher e Cametá. “Pensei, desse modo, em sublinhar a importância desses azulejos porque fazem parte da nossa história. Eu gostaria que nosso bairro tivesse mais atenção nesses 400 anos?”, reflete Dulce.
A proposta de comemorar o aniversário e convidar a sociedade para uma reflexão a respeito do patrimônio histórico foi adotada por comerciantes estabelecidos na Cidade Velha. Celso Pinheiro é um deles. Ele conta que encomendou 20 camisas para distribuir entre os funcionários e alguns clientes. “A ideia é a gente valorizar nossa cultura paraense, resgatar a história dos azulejos e dos casarões”, diz. “Belém começou aqui. É por isso que temos de comemorar aqui”, completa.
(Luiz Octávio Lucas/ Diário do Pará)
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