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Vigia, a irmã mais velha de Belém

Na década de 1970, assim que perdeu os pais no início da adolescência, João Cardoso dos Santos saiu do município de São João de Pirabas, para “rodar o mundo”. Sozinho. Passou por várias cidades do Pará, até chegar a Vigia de Nazaré. Sem profissão nem famí

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Na década de 1970, assim que perdeu os pais no início da adolescência, João Cardoso dos Santos saiu do município de São João de Pirabas, para “rodar o mundo”. Sozinho. Passou por várias cidades do Pará, até chegar a Vigia de Nazaré. Sem profissão nem família, João conta que encontrou abrigo nessa cidade que, com o decorrer dos anos, se tornou pescador, pai de família e religioso. “Eu não tinha rumo. Um dia, saí para pescar e fiz uma oração. Se Deus me abençoasse, enchendo com peixes a minha rede, eu passaria a morar para sempre ali e me convertia”. E foi assim que aconteceu. “Para mim, Vigia foi como uma mãe acolhedora”, conta. Hoje, aos 55 anos, casado com uma vigiense e pai de quatro filhos, João não imagina seu futuro em outra cidade.

Assim como ele, milhares de pessoas têm histórias parecidas para contar sobre a cidade que completou 400 anos na última terça–feira (6). “Aqui começa o Pará”. A frase está espalhada em cartazes grudados nas esquinas do centro de Vigia. Os relatos registrados na história revelam que foi exatamente no antigo vilarejo habitado pelos índios Tupinambás onde tudo começou, 6 dias antes da fundação de Belém.

Vigia de Nazaré, antes conhecida como Vila de Vigia de Nazaré – em 1693 - recebeu este nome porque enquanto Belém se organizava grande administração como a futura capital, Vigia era o porto fiscal. Os colonizadores, os portugueses, vigiavam o barco de contrabando, vigiava militarmente a defesa da costa e era o posto de cobrança de impostos. Era um posto de vigilância. O lugar também se tornou ponto onde viajantes paravam para descansar, recuperação de embarcações, deixar dos doentes, deixar marinheiros brabos, abastecer com comida, água, lenha e plantas medicinais.

Vigia é “de Nazaré” por causa da devoção à Nossa Senhora de Nazaré. A partir daí, que começou o Círio, o mais antigo, inclusive. Uma tradição trazida pelos portugueses e disseminada naquela região e mais tarde para todo o Estado. A igreja Mãe de Deus, localizada no centro foi construída em 1732 por padres jesuítas com a mão de obra indígena, e permanece até hoje como igreja matriz, um ponto turístico do município. Ela faz parte do conjunto de prédios antigos e é o único tombado como patrimônio histórico da cidade. Na época, servia de templo, escola dos padres jesuítas, biblioteca com 1.010 volumes e abrigo para os romeiros do Círio. Uma das raras igrejas no mundo que tem as quatro funções ao mesmo tempo.

Habitada por pouco mais de 50 mil pessoas, Vigia fica a 100 km de Belém, banhada pelo Rio Guajará-Mirim. Quem for à cidade vai encontrar também monumentos antigos, boa culinária e balneários - os famosos igarapés de Santa Rosa (a menos de 20 km da cidade) e Maracajá. O professor, jornalista e escritor José Ildone Favacho Soeiro, 73 anos, conhece o lugar como poucos. Ele nasceu e mora até hoje em Vigia.

Quer saber por que Vigia é considerada a "Atenas Paraense"? Veja mais na edição especial Belém 400 Anos do DIÁRIO!

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

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