Bairro mais antigo de Belém, a Cidade Velha ainda é o melhor local para se viver na cidade. Pelo menos, é o que dizem seus moradores mais veteranos. Eles reclamam da violência, da perda de algumas tradições e costumes, mas ainda consideram que o bairro é ideal para quem quer sossego.
Considerado o mais antigo de todos os moradores, o comerciante Salomão Casseb afirma que a tranquilidade é a maior marca do bairro. Aos 64 anos, 57 dos quais na Cidade Velha, Salomão é conhecido por muitos belenenses pelo bar Nosso Recanto, mais famoso como “bar do Salomão”, de sua propriedade. Os vizinhos reconhecem que ele é a alma da Praça do Carmo, por causa das noites culturais, o sabor dos lanches e a boa música, que atraem os adeptos da boemia de toda a capital paraense.
Salomão chegou à Cidade Velha ainda garoto, quando o seu pai, Jorge Alves Casseb, 88, resolveu abrir uma oficina mecânica no bairro. Ele lembra que, à época, os comerciantes e artesãos iam ao comércio do próprio bairro comprar especiarias que chegavam de barco de várias partes do interior do Pará e até de outros Estados. Ao falar daépoca com certa nostalgia, Salomão destaca que andar a pé no Comércio de Belém a qualquer hora do dia ou da noite era um dos principais atrativos da época. “O mais legal era a tranquilidade daquele tempo, o entrosamento com os vizinhos. O bairro ainda é muito bom para se viver, apesar da violência”, diz.
No entorno da Praça do Carmo, a 1ª de Belém, construída em 1966, havia 25 moradias, mas atualmente somente 8 ainda são residências. As demais se transformaram em estabelecimentos comerciais. Elias Flor Rocha, de 68 anos, também se tornou comerciante da área após a aposentadoria. Ele chegou à Cidade Velha há 40 anos, após se casar e ganhar a casa onde mora do sogro. Com o tempo, a moradia se restringiu à parte de cima. A de baixo se tornou uma loja de artigos femininos.
Elias é considerado o 2º morador mais antigo do bairro.Assim como Salomão, elege a tranquilidade do localcomo a grande referência da Cidade Velha. “Para mim, hoje o bairro está melhor com a movimentação comercial do seu entorno. Antigamente, era muito triste, o comércio era pouco desenvolvido".
Veja a reportagem completa na edição especial Belém 400 Anos do DIÁRIO.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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