Os moradores da vila Arca de Noé estão preocupados. Localizada na travessa Curuzu, entre as avenidas Duque de Caxias e Visconde de Inhaúma, a via apresenta situações de extrema insalubridade, o que aumenta os riscos de se contrair doenças como a dengue e zika. “Nos sentimos esquecidos, pois o poder público deixa a gente aqui, com riscos de pegar doenças”, afirma o aposentado Carlos Queiroz, 61 anos.
A Arca de Noé, onde moram 25 famílias, está tomada por poças gigantescas de água e lama vindas de esgotos que se acumulavam embaixo das casas, além do lixo acumulado. Moradores afirmam que já acionaram a Prefeitura Municipal de Belém, mas não foram atendidos. “Já fizemos abaixo-assinado, já enviamos fotos da situação da vila, mas eles dizem que não têm verba para ajeitar”, contou a doméstica Maria do Socorro Sandim, 49.
Além da preocupação com a própria saúde, ela teme pela situação de sua filha, Josiane Sandim, 30, que está grávida de 3 meses. Nas poças, é possível ver larvas. Os moradores temem que sejam do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e zika. “Vivemos aqui sob medo constante, ensopados de repelentes, além de mosquiteiros e ventiladores, que quase nunca são desligados”. Maria do Socorro disse ainda que, no fim da tarde, os moradores fecham as casas, com medo de pegarem as doenças.
BALANÇO
Não é para menos. Segundo o último balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) sobre dengue, chikungunya e zika, dos 13 municípios paraenses com maior ocorrência da dengue, Belém lidera o ranking, com 1.201 casos confirmados no decorrer de 2015. No ano anterior, 365 pessoas tiveram a doença.
Segundo a dona de casa Gilmara Santos, 40, também moradora da vila Arca de Noé, o próprio agente de endemias da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) falou do grande risco que a comunidade vive em relação ao contágio da dengue e zika. “Tenho uma criança de 2 anos em casa e não tenho paz, estou muito preocupada”, disse.
Ela afirma que, em dezembro do ano passado, os moradores procuraram, mais uma vez, a Prefeitura de Belém, mas a gestão de Zenaldo Coutinho pediu que esperassem. “Disseram para aguardar passar o ano novo que eles iam fazer algo. Mas, quando perguntamos quando seria, se limitaram a dizer que seria em 2016 ainda”, disse Maria do Socorro.
Inconformados com a falta de respostas para o problema, os moradores da vila Arca de Noé se uniram e realizaram rifas com o objetivo de juntar dinheiro para comprar, com recursos próprios, material para ajeitar a tubulação. “Juntamos R$ 120 de cada morador, que deu um total de R$ 3 mil, o que não dá nem para o começo”, contou Maria do Socorro. A moradora disse que a comunidade chegou a chamar um engenheiro para fazer um orçamento, mas apenas pelo trabalho dele foi pedido um valor acima do que tinham disponível. “Você acha que temos condição de fazer isso sozinhos?”, questionou.
(Gerllany Amorim / Diário do Pará)
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