Representantes de movimentos sociais, estudantes e professores atuantes nas periferias de Belém se reuniram, na manhã de ontem (11), para debater os problemas enfrentados por quem vive nas áreas mais esquecidas da cidade. A ação “Belém 400 anos, sob o olhar do gueto”, começou às 10h, no anfiteatro da Praça da República. “Belém cresceu, mas só se desenvolveu na região central”, apontou o professor de história João Bosco, 53 anos, pesquisador do Arquivo Público do Pará.
Bosco ministra aulas na Rede Pública Estadual há 25 anos e conhece bem a realidade na periferia de Belém. “Falta incentivo à cultura, educação e arte. O que estamos vendo são jovens e crianças entrando no mundo das drogas e engravidando cedo”, disse.
JOVENS
Para o professor, a responsabilidade pelos problemas enfrentados nos bairros menos privilegiados de Belém é dos governantes. A estudante Renata Lima, 16, da Escola Estadual Brigadeiro Fontenelle, da Terra Firme, conta que sonha com um bairro melhor e espera que a Prefeitura olhe mais atentamente para os jovens e crianças das regiões afastadas do centro. “Não temos área para lazer nem oportunidades. Por isso, muita gente entra para os caminhos errados da vida”, declarou a garota.
Segundo Ingrid Louzeiro, estudante de pedagogia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das idealizadoras do projeto, o grupo “Sob o Olhar do Gueto” nasceu em fevereiro de 2015 e não tem nenhum vínculo partidário. O grupo pretende fazer uma articulação formada por pessoas da periferia, que queiram denunciar as injustiças cometidas nos bairros mais afastados. “Falamos sobre a violência contra as mulheres, os jovens, os negros. Desenvolvemos também oficinas de multimídia na periferia”, destacou.
(Roberta Paraense / Diário do Pará)
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