"Quem será um novo Cristo que nos salvará?". Assim inicia a canção "O bom ladrão", do biomédico e músico paraense Alcyr Guimarães, 63 anos. Composta anos atrás, ironicamente ou não, a música já parecia prever uma angústia cada vez mais presente no cotidiano de cada habitante de Belém, cada vez mais temerosos com a violência. Inclusive o próprio Alcyr.
Em um vídeo veiculado em seu perfil no Facebook, o músico compartilha sua angústia e tristeza por ter sido assaltado duas vezes seguidas durante a manhã da última terça-feira (12), no mesmo horário em que várias pessoas protestavam contra o prefeito Zenaldo Coutinho nas "comemorações" pelos 400 anos de Belém e inúmeras outras andavam sobressaltadas em qualquer avenida ou rua da cidade.
No vídeo, Alcyr relata o que ocorreu. "Chegando lá (em São Brás), fui assaltado. Três meliantes, dois revólveres apontando pra cabeça e fazendo certo terrorismo... Me colocaram no banco de trás do carro e me levaram pra rodar pela cidade (...) Um deles me reconheceu, disse que gostava das minhas músicas. Me deixaram ficar com meu violão, com meus documentos, embora eu já tivesse dado todo o dinheiro, todas as joias que eu tinha. Incrivelmente me deixaram ficar também com meu celular. Me deixaram no Acampamento (bairro do Telégrafo), em uma viela muito difícil. Parece que prevendo, ainda disse a eles ‘Vocês me deixando aqui eu vou ser assaltado de novo, não sei sair daqui’. Os assaltantes ainda aconselharam ‘Segue reto, no mínimo a 60km/h e não para que se não vai ser assaltado’”(sic). E foi o que aconteceu.
Veja o final desta história e o que o músico disse à reportagem do DOL na edição do Diário do Pará de quinta-feira (14).
(Enderson Oliveira/DOL)
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