Nas ruas do município de Santa Izabel, a população permanece preocupada. Na manhã da última terça-feira (12), o Diário foi a 3 postos de saúde e nenhum médico foi encontrado. Na Estratégia de Saúde de Família, da Nova Divineia, apenas uma enfermeira, que preferiu não conversar com a nossa equipe, atendia os pacientes. Conversamos com o funcionário público José Silva, de 34 anos, que há dias vem tendo sintomas de dengue. Ele foi procurar a unidade e disse que se a avaliação for positiva, teria que ir ao Hospital Dr. Edilson Abreu. “Como não tem médico, a enfermeira faz apenas uma avaliação e nos encaminha ao hospital”, comentou.
Já na Unidade de Saúde do bairro Santa Lúcia, o mototaxista Eduardo David Baía, 32, que mora no município desde os 8 anos, disse que médico é uma raridade. “Não podemos ficar sem o hospital, já que nos postos de saúde nunca temos médico. Enfermeiro não pode receitar, por isso, vamos ao hospital”, lamentou.
Para o jornaleiro Rosevell Pereira, de 53 anos, que nasceu e cresceu no município, Santa Izabel já estava em estado de calamidade pública antes mesmo do decreto.
Sua mãe, de 75 anos, é cadeirante. Para fazer qualquer tratamento, ela vai para capital. “Temos que levar pra Belém, pois aqui não temos hospital e nem posto de saúde que faça atendimento correto. Nunca temos médicos”, denunciou.
UPA
Desde 4 de dezembro de 2013, está em construção a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Portell, de Santa Izabel. O prédio, localizado no bairro Santa Lúcia, permanece, do lado fora, cercado por mato. Quem passa pelo local vê pouco movimento de homens trabalhando. A impressão que dá é que a obra foi abandonada. O vigilante Afonso Braga, de 40 anos, reclama que a UPA, deveria estar em pleno funcionamento para auxiliar o atendimento na saúde pública do município.
“O nosso prefeito não faz nada. Ele é médico e não olha para a saúde de Santa Izabel”, relatou Afonso. O vigilante, que já sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), diz que na cidade não há neurologista e que é preciso ir a Belém para fazer tratamento. “Nem a nossa UPA está funcionando. Ela já era para estar pronta”, disse. Na placa de obra, a Unidade, que é para funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, está custando para a União R$ 1.790.130,26 e tem previsão para ser concluída em 31 de junho de 2016. “Enquanto isso, temos que esperar”, lamenta Afonso.
A reportagem foi à procura do secretário de saúde do município, Mário Oscar, mas ele não foi encontrado. Os funcionários da Secretaria de Saúde informaram que a assessoria de comunicação também não estaria na cidade. Na sede da prefeitura, procurado pela reportagem, o prefeito Gilberto Pessoa (PsD) não recebeu a equipe em seu gabinete.
(Diário do Pará)
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