Há pelo menos 5 anos a cena se repete: o aposentado paraense João Moreira de Souza, 66 anos, sai pela avenida Governador José Malcher para tentar conscientizar as pessoas a cuidarem do meio ambiente, sobretudo daquela avenida, pela qual ele sente um grande amor. Além de conversar com quem passa, o aposentado também planta mudas e coloca placas em pontos estratégicos da avenida, com frases de conscientização ambiental.
A intenção de fazer algo que refletisse no bem da comunidade começou em 1997, quando João se aposentou. E foi vendo como a sujeira se alastrava em Belém e o desrespeito com que as árvores, em especial as tradicionais mangueiras de Belém, eram tratadas, que ele resolveu investir seu tempo e seus recursos para cuidar e orientar a população da cidade. Ele começou a realizar este trabalho na via onde ele nasceu e foi criado, a Governador José Malcher. A produção das placas de madeira começou há 5 anos. Nelas, ele usa mensagens de preservação ambiental.
As placas confeccionadas pelo aposentado foram colocadas ainda na avenida José Bonifácio, segue pela avenida José Malcher até a esquina com a
travessa Alcindo Cacela. (Foto: Fernando Araújo)
Depois coloca nos canteiros das árvores da avenida. “Nasci aqui. Na época não tinha asfalto. Era tudo piçarra e vala. Eu vi essa transformação”, afirmou. João lamenta a forma desrespeitosa com que a avenida é tratada. “As pessoas poluem o meio ambiente, jogam lixo e trazem cachorro para fazer as necessidades, no pé das árvores. Isso não é certo”.
Para dar bom exemplo, João afirma que limpa e planta as mudas dos canteiros das árvores, deixando recados de reflexão para quem transita pelo local. O trabalho de João é feito com o seu próprio dinheiro, sem qualquer ajuda da Prefeitura Municipal de Belém.
INICIATIVA
Atualmente, há 20 placas nos canteiros das árvores da avenida, com o cercado de 2 metros quadrados, cada. “Eu adquiro a madeira. Geralmente elas são recicladas. Mas quem faz a pintura dos dizeres é meu amigo e custa entre R$25 a R$30”, conta. O aposentado também lamenta que nem sempre consegue que as mudas que planta sejam tratadas com cuidado.
“Era para estar tudo florido, mas as pessoas pegam e quebram os caules e tiram as flores”, reclama o aposentado, com um galho arrancado nas mãos. De acordo com João, o desafio é impedir que os espaços que abrigam as árvores e pequenas plantas sejam transformados em lixeiras e que a cidade de Belém, nos seus 400 anos, seja mais limpa, com a população mais consciente. “As pessoas devem olhar para as placas e saber que não podem jogar lixo. Também devem cuidar das plantas”, ressalta.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar