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Carnaval: folia que contagia os paraenses

O samba toca em todo lugar, os blocos seguem pelas ruas e a vontade de festejar está mais forte. É inegável que o clima carnavalesco tomou conta do Pará, que desde o começo do ano já realizava diversos gritos de Carnaval e agora entra de vez na folia. Sej

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O samba toca em todo lugar, os blocos seguem pelas ruas e a vontade de festejar está mais forte. É inegável que o clima carnavalesco tomou conta do Pará, que desde o começo do ano já realizava diversos gritos de Carnaval e agora entra de vez na folia. Seja na capital o ou interior, é quase impossível não ser contagiado pela alegria que a festa emana na população.

“É bem clichê, mas é verdade: o ano só começa depois do Carnaval”, afirma o professor Ramon Oliveira, 62 anos, fã confesso da folia. Morador de Belém há mais de 20 anos, participa ativamente da festa, seja nos blocos de rua ou no meio da avenida.

Os desfiles das Escolas de Samba são um dos pontos mais tradicionais do Carnaval. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

“Todo ano participo dos desfiles das escolas de samba. Já sai pela Matinha, pela Pedreira, geralmente convidado por amigos. Mas a minha paixão mesmo é o Rancho”, continuou o professor, se referindo ao “Rancho Não Posso me Amofiná”, escola de samba do bairro do Jurunas.

“É uma força muito mágica. Estar na avenida, em meio a toda a gente, fazendo mesmo parte de tudo aquilo, é uma sensação que não dá pra explicar. Cada ano a festa parece mais bonita”.

Mais bonita e mais adiantada. Mesmo o Carnaval caindo cedo neste ano, encerrando no dia 10 de fevereiro, a comemoração oficial em Belém foi ainda mais adiantada em 2016.

O desfile oficial das escolas de samba, na Aldeia Amazônica, bairro da Pedreira, ocorre no período de 29 a 31 de janeiro. Ao todo, 28 escolas saem na avenida, além de 14 blocos carnavalescos.

Para quem participa, desfilar na avenida é fazer parte do Carnaval. (Foto: Bruno Carachesti/Diário do Pará)

“Acho que é difícil competir com os desfiles das escolas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Lá, o Carnaval é muito maior, muitas pessoas querem acompanhar, mesmo pela TV. O povo de Belém já não se empolga tanto os desfiles da cidade. Carnaval é mais pra quem gosta de pular blocos de rua”, avalia Ramon.

FOLIA NAS RUAS

Se para quem participa do desfile na Aldeia Amazônica, o Carnaval parece ter perdido um pouco de espaço, quem gosta de pular a folia em blocos de rua tem outra visão.

As opções de diversão são muitas, em diferentes dias, em diferentes locais.

Os blocos de rua ainda são a maior força no Carnaval paraense. (Foto: Wagner Almeida/Diário do Pará)

Para muitos, a festa começa até mesmo antes do próprio ano: ainda na tarde de Natal, no dia 25 de dezembro, o bloco Império Romano se propõe a iniciar os gritos de Carnaval na capital paraense. Já em janeiro, as atividades ocorrem ao longo de todo o mês.

Só no bairro da Cidade Velha, o mais tradicional ponto para o Carnaval de rua da cidade, 12 blocos participam da programação oficial, como os blocos Elka, Filhos de Glande, Amigos do Urubu, Amor de Carnaval e Xibé da Galera e Jambucano.

Há ainda a programação oficial em outros pontos da capital, como no Portal da Amazônia e bairros da Marambaia, Cremação e Batista Campos, além dos distritos de Mosqueiro, Outeiro e Icoaraci, que contam com apresentação de bandas de fanfarra, trios elétricos e bailes.

Fora os inúmeros blocos organizados por bares, associações comunitárias, instituições e grupos de amigos, que tomam conta de toda a cidade, tornando quase impossível contabilizar todos.

Alegria, samba e fantasias dominam as ruas de Belém durante o período. (Foto:Wagner Almeida/Diário do Pará)

“Participo do Carnaval desde quando era criança, quando meu pai me levava para seguir os trios elétricos em Mosqueiro”, afirma o arquiteto Dilson Junior, de 32 anos. “Acabei ficando apaixonado por blocos de rua. Vou em todos que consigo. Não tem um fim de semana que eu fique parado. É muita diversão, seguindo pelas ruas da cidade, usando fantasias, brincando com os amigos. É muita alegria”.

Para Dilson, nada consegue atrapalhar a folia, nem mesmo a violência crescente na região. “Eu vi no jornal esses casos mais recentes de briga e assalto, e até aquele menino que foi morto. É uma tristeza, mas infelizmente, é o tipo de coisa que sempre aconteceu. Eu mesmo já fui roubado em blocos”, continuou Dilson.

“Parece que está mais perigoso. Mas é só ter cuidado, ir na paz e não puxar briga que dá pra se divertir. É ter consciência”, completa.

FOLIA FORA DA CAPITAL

Como festa grande que é, o Carnaval não encontra barreiras e se espalha por todo Estado, muito além da capital. Ao longo de todo Estado, a folia se manifesta de forma intensa e com atrativos para todos os gostos.

Os locais mais distantes dos centros urbanos acabam se tornando a preferência de muitos foliões.

O bloco "Pretinhos do Mangue", em Curuçá, é um dos mais tradicionais do Estado. (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)

As opções são muitas: há o tradicional Carnaval ecológico com os Pretinhos o Mangue de Curuçá, os divertidos Virgienses e Cabrasurdos de Vigia, e o sujo Mela-Mela de Alter do Chão, em Santarém.

A folia também se manifesta forte em Bragança, Cametá e outras diversas cidades, que vivem os blocos de rua com grande paixão.

Os blocos de Carnaval lotam as ruas de cidades por todo o Pará. (Bruno Carachesti/Diário do Pará)

“Carnaval no interior é a melhor opção. Nada se compara”, afirma o professor Otávio Rogério, que fala ainda que, dos 36 anos de vida, os último 12 foram marcados por carnavais no interior do Pará.

Em 2016, ele pretende ir para o município de São Caetano de Odivelas, no nordeste paraense.

Em São Caetano de Odivelas, elementos tradicionais, como o boi, os cabeçudos e o Mascarado Fobó, ainda são lembrados nos blocos. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)

“O Carnaval do interior ainda mantém aquele ar das festas antigas, com blocos familiares, sem confusão, correria e problemas que geralmente aparecem na capital. Em São Caetano, por exemplo, tem bloco com bois, com o Mascarado Fobó e outros elementos que são mais da nossa cultura que uma cópia do Rio de Janeiro”, completa.

“Além do que, fica do lado de Vigia, o melhor Carnaval do Estado. São quatro dias de festa que não acaba”.

(Gustavo Dutra/DOL)

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