Um dos principais destinos dos belenenses e turistas nos dias de Carnaval, a Ilha de Mosqueiro está completamente abandonada pelo prefeito Zenaldo Coutinho. Devido à ação da natureza e à falta de cuidados, as praias de rio e a fauna contrastam com o lixo, ruas esburacadas, mato, esgoto a céu aberto. O fato é que parte da orla está totalmente deteriorada.
Faltando menos de uma semana para o início da folia, os moradores e barraqueiros do distrito reclamam do descaso. Segundo eles, mesmo tendo conhecimento da importância da bucólica para o turismo paraense, a Prefeitura de Belém pouco faz para melhorar a infraestrutura do balneário. O descaso é percebido logo por quem passa no Pórtico. O mato já tomou os canteiros da principal entrada da Ilha.
As dificuldades para entrar na praia do Marahú, destino procurado pelas famílias que fogem da folia, começa a partir da primeira curva que dá acesso à praia. A pista, totalmente esburacada, já divide espaço com a faixa de areia. Desde o mês de dezembro de 2015, a maré tem ganhado força e já levou toda a estrutura de concreto da antiga rua.
DIFICULDADE
A dona de casa Claudiane Carvalho, 19 anos, mora com a sua família no final da Praia do Marahú. Ela disse que há pelo menos 7 anos, não via a manifestação das águas como nas últimas semanas. “Moro aqui desde que eu nasci. Fui percebendo a mudança, mas desde dezembro (2015) a maré destruiu quase toda a orla”, disse.
Com uma criança de 6 meses no colo, o marido da Claudiane, o pedreiro José Luiz Nascimento, 25 anos, relata as dificuldades que está enfrentando depois da destruição da orla. “Não entra mais carro e nem mototáxi”, reclamou. Eles são obrigados a andar por quase 25 minutos, com a criança nos braços, para chegar à rua pavimentada, pegar um transporte e seguir o percurso. “Não temos como sair e deixar nosso filho em casa”, destacou o pedreiro.
José Luiz lamenta que não exista nenhuma intervenção do Poder Público em relação ao problema. “A maré vem crescendo todos os anos. Não é a primeira vez que isso acontece. A Prefeitura não faz nada. Nem uma barreira é colocada”, disse José, que teme que as águas ganhem mais força no mês de março e invada as residências do Marahú. No início de janeiro, quando a maré chegou a ter ondas de 4 metros, os moradores ficaram sem energia elétrica e água por 4 dias.
PÍER
Com a destruição gradativa da orla, os barraqueiros resolveram trabalhar para não perder os clientes. Grande parte se reuniu para construir, na frente de suas propriedades, um píer de madeira, com sacas de areia na parte inferior, para conter a maré. Rosa Ribeiro, 59, trabalha na praia há 35 anos. Ela disse que a ideia de fazer a estrutura, foi para não ter sua barraca invadida pela maré, e uma forma de receber os banhistas com mais conforto.
“Aqui, não entra carro. A orla foi destruída”, disse Rosa. Além dos gastos para fazer a estrutura, em torno de R$ 6 mil, os barraqueiros enfrentam outro problema. A Prefeitura quer embargar a construção. “O agente distrital veio aqui. Disse que temos de parar as obras”, contou.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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