O governador Simão Jatene (PSDB), ao ler sua extensa mensagem de abertura do período legislativo na primeira sessão do ano da Assembleia Legislativa (AL), na terça-feira (2), tanto falou que acabou se comprometendo. Em uma aparente tentativa de criticar a gestão de Jader Barbalho no Governo, ele revelou que, da construção do 1,2 mil km da PA-150, que vai do Moju até Santana do Araguaia, ficou uma dívida de R$ 5 milhões cobrada ainda hoje pela empreiteira via Justiça Federal. Jatene só esqueceu de completar que, à época, o secretário de Planejamento do Estado era ele mesmo, com poderes para autorizar licitações e liberação de orçamento para as obras.
O líder do PMDB na AL, deputado Iran Lima, não pôde dar a réplica completa no dia da sessão, quando Jatene falou por duas horas, já que a oposição ficou com apenas dez minutos para se manifestar. Mas aproveitou o segundo dia de sessão para subir à tribuna e contar a história toda. Ele lembrou que, em sua fala, Jatene se gabou de ter recapeado 450km da rodovia. Como representante de oposição, Iran lembrou que a construção da PA havia ocorrido durante uma das gestões de Jader Barbalho.
Na tréplica, Jatene resolveu partir para o ataque e mencionou a dívida, explicando que o Estado não perdeu a causa diante da Justiça e continua se defendendo. “Mas sabe quem conhece essa história melhor do que ninguém? O secretário de Planejamento do governador Jader Barbalho na época”, diz. Ou seja, o próprio Jatene. “Se tinha algo errado, por que ele não se manifestou à época? E se tinha dívida e não pagou, ele usou o dinheiro para se preservar então”, rebateu Lima.
Iran aproveitou o discurso para lembrar que a gestão tucana no Pará já orçou várias obras em um valor e terminou por um valor bem maior que o original. “A Alça Viária começou com R$ 170 milhões e terminou em R$ 300 milhões. A ponte do Moju, de R$ 13 milhões para R$ 26 milhões”, lembrou. O parlamentar condenou também o discurso de que houve melhorias na Educação, Saúde e Segurança e o fato de que ele lotou o plenário de correligionários durante sua fala para lhe aplaudir.
“Gostaria de saber se ele pode ir na rua dizer isso para o cidadão e dele receber esse aplauso”, provocou.
(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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