Buracos, lama e mato. É o que enxerga quem precisa trafegar pela rua Francisco de Oliveira Nobre, em Ananindeua. O local ainda tem uma particularidade: está localizado em plena BR-316, em frente à sede da Prefeitura, no centro do município. Se saísse do gabinete e andasse menos de 200 metros, o prefeito Manoel Pioneiro veria as dificuldades que os moradores enfrentam.
Como é a única via de acesso à comunidade Nova Jerusalém, quem precisar trafegar por ali precisa fazer malabarismos para tentar desviar das inúmeras “crateras” que, com a chegada das chuvas, são tomados de lama. Sem qualquer limpeza, asfalto ou melhorias, faça chuva ou faça sol, os problemas não diminuem. “Quando chove a rua fica intrafegável. No verão é muita poeira. Não tem pra onde fugir”, reclama a cabeleireira Antônia Lisboa, que mora há pouco mais de um ano em um condomínio residencial localizado ali. Segundo ela, um dos principais problemas está ligado à construção de residências populares, pois veículos pesados passam por ali constantemente com material em grande quantidade, o que contribui para a destruição da via. “As minhas correspondências não chegam mais há meses. O carteiro não consegue entrar por causa dessa buraqueira”, acrescenta.
MUTIRÃO
Em determinado perímetro, a rua se estreita e o cenário piora. Lixo a céu aberto, nenhum sistema de saneamento básico, e iluminação pública precária. O pedreiro José Reginaldo Souza, de 42 anos, diz que mora desde o início de formação da comunidade Nova Jerusalém, há 7 anos. Hoje, são aproximadamente 100 famílias que habitam a comunidade. Os próprios vizinhos fizeram um mutirão para aterrar a via. “Recentemente fizemos até coleta para colocar a tubulação de esgoto aqui”, conta.
O morador relata que a situação prejudica o dia a dia de trabalhadores e estudantes. “As vezes meus filhos faltam a escola. A gente não pode sequer sair de casa”.
O jeito é improvisar. Alguns colocam saco plástico nos pés. Outros andam com uma garrafa de água para lavar os pés sujos de lama. Em nota ao DIÁRIO, a Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura (Sesan) de Ananindeua informou que enviará uma equipe até a rua, para fazer uma análise da situação.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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