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Obras da prefeitura viram criadouros de mosquitos

As correntes em volta do portão enferrujado revelam que a casa de número 412, localizada na avenida Conselheiro Furtado, tem um proprietário. Mas o imóvel localizado entre as travessas Tupinambás e São Pedro, no bairro da Batista Campos, em Belém, está to

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As correntes em volta do portão enferrujado revelam que a casa de número 412, localizada na avenida Conselheiro Furtado, tem um proprietário. Mas o imóvel localizado entre as travessas Tupinambás e São Pedro, no bairro da Batista Campos, em Belém, está totalmente abandonado. Na parte interna, há diversos indícios de que ali pode ser abrigo de um morador que anda atemorizando todo o País e, agora, o mundo: o mosquito Aedes aegypti.

Da frente da casa, em endereço nobre, é possível ver vasilhames de plástico jogados no pátio, copos descartáveis e garrafas pet. Além disso, há duas caixas de ar-condicionado vazias, ainda fixadas nas paredes e acumulando água da chuva: abrigo perfeito para a proliferação do transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus.

Para ampliar a capacidade de combate ao Aedes aegypti, no último dia 1º deste mês a presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória autorizando as autoridades do SUS (Sistema Único de Saúde), nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal, a entrarem em imóveis como este, abandonados pelos seus donos, e que apresentem focos do mosquito.

FOCOS

A reportagem do DIÁRIO percorreu bairros de Belém para ver a situação de locais abandonados que podem servir de criadouros para Aedes aegypti. A situação não é incomum. Já na esquina com a travessa São Pedro, há outro imóvel sem uso, cheio de mato e lixo. O pedreiro Carlos Antônio, 48, trabalha em uma construção ao lado. Ele relata que o local fica tomado de entulho jogado pelos moradores de rua. Além disso, há telhas, canos, e uma fossa a céu aberto que atraem os insetos. “Temos medo de pegar uma doença. Nunca vimos o proprietário desta casa aqui”, afirma.

Mesmo murada, com cerca elétrica e portão de alumínio, é possível perceber, do lado de fora, a parte do telhado deteriorado da residência. Plantas se acumulam na sua estrutura superior. Com medo da proliferação do mosquito, a proprietária da casa ao lado já mandou fazer uma limpeza e dedetização do local. “Às vezes, entramos ai pela parte de trás. Jogamos até veneno”, relatou o pedreiro.

PÚBLICO

O caso mais absurdo, porém, foi visto na avenida Gentil Bittencourt, no bairro de São Brás. No local, há um prédio inacabado, que pertence à Prefeitura de Belém. Trata-se da Escola Municipal Manuela de Freitas, cujas obras foram interrompidas há 5 anos. Na fachada, a placa da obra, rasgada e com letras desbotadas, indica que não há manutenção nem limpeza por lá há tempos.

Do alto, é possível ver ambientes propícios à proliferação do Aedes aegypti, como escombros, sacolas de lixo, recipientes plásticos e uma caixa d’água.

Morando há quase 50 anos na frente do local, a dona de casa Eneide Correa, 76, se preocupa com a saúde da sua família. “Nesta época de chuva, o acúmulo de água só aumenta, e com ele os mosquitos”, reclama.

Na avenida Marquês de Herval, no bairro da Pedreira, um terreno sem uso tem sido motivo de temor para muitos moradores da área. Na casa do comerciante Benedito Miranda Campelo, 62, quase toda a família já teve dengue. A mulher, o filho e recentemente ele foram acometidos pelo mal e temem contrair a febre chikungunya e o zika vírus. “Tem de tudo aí que atrai os insetos. Tem muito mosquito, principalmente da dengue”, reclama o comerciante, que está se recuperando da doença. Mesmo com os protestos contra o descaso, seu Benedito não escapou.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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