A Associação dos Exportadores de Gado e associações de moradores de Barcarena fecharam um acordo, na última sexta-feira, para o repasse, à comunidade, de R$ 900 mil para investimento em equipamentos para incrementar as atividades produtivas dos moradores da área de abrangência do porto de Vila do Conde, por onde embarcam, anualmente, cerca de 500 mil cabeças de gado para venda no mercado externo.
As negociações foram intermediadas pela Companhia Docas do Pará (CDP), responsável pela gestão do porto e os recursos serão repassados em duas parcelas. “Esse acordo representa uma espécie de armistício entre os exportadores de gado e a comunidade local”, avaliou o presidente da CDP, Parsifal Pontes.
Ele destacou, ainda, que as empresas e os moradores estavam em conflito desde outubro do ano passado, quando o navio Haidar, de bandeira libanesa, afundou no porto, carregado com 5 mil bois.
O acidente alterou a rotina da população, que precisou interromper atividades, como a pesca. Os bois morreram, as carcaças se espalharam pelas praias de Barcarena e Abaetetuba e o navio ainda está submerso, impedindo que a CPD use um dos oito pontos de embarque e desembarque de cargas.
PLANO AMBIENTAL
O naufrágio levou também à suspensão das exportações de gado em pé, que, a partir de agora, precisará ter um plano ambiental específico. Em outubro do ano passado, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas) autorizou o embarque emergencial de 50 mil bois que já estavam prontos para embarcar. A liberação, porém, enfrentou a oposição severa dos moradores que se sentem prejudicados com as operações de embarque de animais em Vila do Conde. Eles chegaram a interditar a estrada que dá acesso ao local para impedir a passagem da carga.
Com a liberação da verba prevista no novo acordo, a Associação de Exportadores quer estreitar as relações com a comunidade, para garantir que a atividade conte com o apoio da população.
Pelo acordo, as entidades beneficiadas vão apresentar uma lista dos itens a ser comprados para a comunidade beneficiada. A CDP estima que cerca de 1,2 mil famílias tenham sido afetadas pelos problemas causados com o naufrágio do Haidar.
MP AINDA MENSURA POPULAÇÃO ATINGIDA
A pedido do Ministério Público, uma empresa independente fará o levantamento exato da população atingida para o cálculo de indenizações que serão cobradas na justiça.
Na conversa com as associações de moradores de Barcarena, os exportadores de gado ressaltaram que o acordo assinado na sexta-feira não tem vinculação direta com o acidente. Seria a tentativa de estabelecer as bases de um novo relacionamento mais próximo entre a comunidade e o setor produtivo.
Tudo para que empresas e moradores locais tenham uma convivência pacífica e produtiva para o povo epara o Pará, responsável por cerca de 95% de toda a exportação de bois vivos do Brasil.
(Rita Soares/Diário do Pará)
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