Piçarra, lama, buracos e muito mato pelo caminho. O cenário que se assemelha àquelas vilas afastadas de cidades do interior pode ser visto no bairro da Água Boa, em Outeiro, distrito de Belém. Dentre as vias mais prejudicadas está a Avenida Nova República, situada bem próximo à beira-mar da Praia do Barro Branco que, pela dificuldade de acesso, tem sido esquecida e cada vez menos frequentada.
Logo no início da avenida, troncos de árvore e uma enorme poça de lama dificulta o tráfego de veículos e pedestres. Ao longo da via, os problemas se repetem e a população, sejam adultos, crianças ou idosos, disputa espaço com cobras e sapos que se proliferam ali. Quem mora naquela área tem duas opções: colocar o pé no rio de lama ou caminhar pelas poucas partes onde há calçada. Sem saneamento, água encanada, pavimentação, o sentimento da comunidadeé de completo abandono.
A dona de casa Marlene Castro Souza, 45, mora há 18 anos no local e diz nunca ter visto a administração municipal fazer uma melhoria ali. Nem mesmo uma simples limpeza. Ela contou que o esposo, falecido há cerca de 1 ano, esteve com o prefeito Zenaldo e chegou a encaminhar diversos ofícios à prefeitura solicitando serviços. Mas até hoje nada foi feito. De acordo com Marlene, quando acionadas as viaturas da polícia vão até a entrada da rua, mas as condições precáriasdeixam a via intrafegável.
A situação da Avenida Atlântica, que dá acesso à Nova República, é parecida. Sobretudo nesta época do ano, as chuvas têm deixado o local inacessível. “Tem muito assalto. À noite ninguém sai de casa. Essa escada (à beira da praia), piçarra ou qualquer outra melhoria foram os próprios moradores que fizeram. Outeiro todo está esquecido”, frisa.
ISOLADOS
O universitário Camilo Castro, 24 anos, já chegou a ficar ilhado em casa, sem poder sair para o estágio que faz pela manhã e para a faculdade à tarde. É que a “água de lama”, como os moradores chamam, alcança a altura dos joelhos após uma forte chuva. O jovem disse ainda que a cerca de 2 meses procuraram sua mãe para fazer o cadastro no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). “Como vamos pagar um imposto se não temos nada aqui? Até a iluminação é precária porque as árvores nunca são podadas e encobrem os postes”, reclama Camilo, lembrando ainda que costuma chegar com a roupa suja no estágio e na faculdade por conta da situação da via.
DIFICULDADE
Dono de um bar-restaurante da beira da praia do Barro Branco, Raimundo Leal, 60, se sente prejudicado pela falta de visitantes. Ele, que mora na esquina das avenidas Nova República e Atlântica, vê de perto a dificuldade que o público de fora enfrenta quando tenta chegar na praia. “O prefeito nunca passou por aqui. Ele só vai até a escola que fica numa rua melhorzinha, ali para frente. Só pisa aqui quem gosta muito da praia”, conta.
Além de todos os problemas de infraestrutura, o morador disse temer pegar doenças como dengue, já que no local já houve vários casos registrados. A reportagem do DIÁRIO solicitou nota à Prefeitura de Belém. Até o fechamento desta edição não houve retorno.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar