O terreno onde já funcionou o curtume Santo Antônio, em Belém, está completamente abandonado. O local, na rua Celso Malcher, no bairro de Canudos, se transformou em lixão a céu aberto. Cenário perfeito para o mosquito Aedes aegypti se reproduzir, já que é possível encontrar, no local, pedaços de móveis, sacolas plásticas e pneus cheios de água. A lama está por toda parte. O mau cheiro é grande e há até animais mortos pelo local.
No terreno, que já foi usado como campo de futebol, deveriam ser construídas moradias populares da Companhia de Habitação do Pará (Cohab), por meio do Plano de Aceleração de Crescimento (PAC). Porém, há cerca de 6 anos, o espaço está cheio de mato e recipientes que acumulam água das chuvas. A reportagem esteve no local, na manhã de ontem, e flagrou um homem jogando uma geladeira no terreno. Ao ver a equipe do DIÁRIO, ele foi embora rapidamente.
RECLAMAÇÃO
“Isso é um descaso com a população e com a nossa saúde”, reclama o ambientalista Nil Nascimento, 46 anos, morador da travessa 2ª de Queluz, na Terra Firme. Segundo ele, o terreno já chegou a ser ocupado, mas o Governo do Estado remanejou os moradores do lugar com a promessa de que receberiam as casas do PAC. “Debaixo desse lixo tem a fundação das casas. A obra foi abandonada e depois virou esse lixão”, lembra Nil.
A estudante universitária Thaynna Costa, 20, tinha 14 anos quando foi remanejada, junto com a sua mãe, da casa que ficava no terreno. Hoje, elas vivem em um imóvel alugado. Para pagar a casa, recebem uma pequena quantia da Cohab, o que não é suficiente para custear uma moradia melhor.
“Há 6 anos, eles (da Cohab) pagam apenas R$300. E sempre atrasa. Pagamos R$450, mais as contas de luz e água”, disse a jovem, revoltada. Segundo Thaynna, sua mãe está cadastrada para receber o imóvel do PAC. Ela se revolta ao olhar para o terreno cheio de lixo, no local onde deveria estar morando. “Esse lixo é uma vergonha. Um grande absurdo”, afirma.
RESPOSTA
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop) informou que limpará o terreno neste fim de semana. Segundo o órgão, a área do curtume recebeu as primeiras fundações para a construção de unidades habitacionais do PAC. Porém, a ação foi transferida para o Minha Casa Minha Vida em 2013, mas a migração não foi finalizada, por falta de recursos financeiros. Segundo a nota, o projeto será licitado ainda este ano dentro do cronograma de retomada das obras do Tucunduba, cujo trabalho inicia ainda em 2016.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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