A diabetes é um problema que já afeta mais de 13 milhões de brasileiros. E quando a doença gera outras complicações, a realidade se torna ainda mais difícil. Uma delas está relacionada à visão: a retinopatia diabética é um mal que pode afetar até 90% dos diabéticos, podendo até causar cegueira, em casos mais graves. Por isso, exige atenção e exames constantes. “A retinopatia é a maior causa de cegueira em diabéticos. A doença acelera o processo da catarata e do glaucoma e pode levar à cegueira irreversível”, detalha o oftalmologista Renato Malheiros, da rede Hapvida. O médico alerta: a progressão da doença está associada a diversos fatores, como o tempo. “Quanto mais tempo a pessoa tem diabetes, maior a probabilidade de ter retinopatia”.
ESTÁGIOS
Entre os dois tipos de diabetes, 1 e 2, pacientes que possuem o primeiro tipo da doença têm maior chance de sofrer a retinopatia. “Pacientes hipertensos, fumantes, sedentários, consomem bebida alcoólica e que possuem alterações elevadas do colesterol e triglicerídeos também aumentam as chances de desenvolver o mal de forma mais rápida”, alerta o especialista. Segundo o oftalmologista Renato Malheiros, estudos da década de 1970 já apontavam para a relação da doença com a diabete.
“É uma complicação progressiva e incurável. A partir do momento que surge e passa a evoluir, pode levar à cegueira”.
Mas como perceber o mal? O oftalmologista esclarece que um dos maiores problemas da doença é justamente o fato de ela ser silenciosa. Os sintomas surgem somente quando a doença já está num estágio avançado: há baixa súbita de visão, sensação de manchas pretas nos olhos e feixes de luz. Nessa fase, o paciente já soma 75% de chances de ficar totalmente cego.
ATENÇÃO
A cada ano, o diabético tem mais chances de ser acometido pela retinopatia. Pacientes com o tipo mais leve da doença têm 1% de chance de passar ao estado mais grave. Em 5 anos como diabético, as chances aumentam para 15%. O oftalmologista Renato Malheiros destaca que pacientes diagnosticados como diabéticos até os 30 anos precisam fazer o exame de fundo do olho a cada 3 a 5 anos. Acima de 30 anos, têm de fazer o exame sempre - e imediatamente.
A boa notícia é que a retinopatia diabética pode ser controlada, se acompanhada anualmente. Os tratamentos podem evitar que os pacientes evoluam para o estado grave. “A doença é progressiva, crônica e incurável. O diabético pode passar o resto da vida sem apresentar retinopatia ou ter apenas o grau leve. Mas também tem a vida inteira para adquiri-la”, diz Malheiros. O segredo é não descuidar.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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