Há 15 anos, os moradores da passagem Val-de-Cães, no bairro da Cabanagem, se animaram ao ver o asfalto e saneamento básico chegando. As obras realizadas pela Prefeitura de Belém começaram, mas pararam na metade da rua. E até hoje quem mora no trecho entre as ruas Damasco e Benjamin reclama do abandono do poder público.
Lama, mato e precariedade no sistema de esgotos têm sido a realidade daqueles moradores. Naquele trecho há outra passagem, conhecida como ‘canal’, onde diversas casas de madeira foram construídas à beira do curso d’água, formando palafitas. A situação se torna ainda mais complicada com a chegada das chuvas: cruzar a passagem do canal fica impraticável. Foi então que um comerciante do bairro financiou a construção de uma ponte de madeira para poder passar por ali.
“Nosso dia a dia é difícil. Só metade da rua onde passa o ônibus é asfaltada. Estamos esquecidos”, diz o pedreiro Carlos Alberto Santiago, de 48 anos. Ele mora naquela rua há 26 anos. Nesse tempo, nenhuma melhoria foi feita e a situação só piorou. “Já procuramos a Prefeitura e o que consta no projeto é que tudo está asfaltado”, acrescenta o morador.

Trecho da passagem consta como asfaltado nos registros da prefeitura. Descasos são denunciados há três décadas. (Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará)
COTIDIANO DE ABANDONO
Mais de 200 famílias residem naquele trecho da rua Val-de-Cans. A via é larga, mas a lama e a buraqueira dividem o espaço com a quantidade de mato que cerca e invade a rua, dificultando o tráfego de pedestres e veículos. Idosos, crianças e deficientes físicos que também moram ali enfrentam dificuldades ao saírem de casa. “Essas pessoas mais frágeis já caíram nesses buracos. Existem algumas ‘bocas de lobo’ de esgoto que oferecem risco quando entopem e transbordam”, conta o morador Raimundo Pena, 52.
Ele explica que precisou levantar o nível do piso da casa pelo menos três vezes, devido à falta de sistema de esgoto. Com a chegada do inverno amazônico, a água da chuva invade muitas residências naquele trecho.
Assim acontece com o comerciante Raimundo Augusto. Em apenas um ano de funcionamento da sua mercearia, ele já teve prejuízos por causa da situação da rua. “Os clientes não conseguem nem chegar aqui”, disse. A Secretaria Municipal de Saneamento foi procurada pela reportagem no fim de semana, mas até o fechamento desta edição não deu retorno.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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