Lamentável. É o adjetivo mais adequado para descrever a postura da Prefeitura de Belém, diante da gravíssima denúncia publicada pelo DIÁRIO nas edições de sexta-feira (26) e do último domingo (28).
As reportagens tratam de acusações feitas por servidores do Hospital Pronto Socorro Municipal (HPSM) Humberto Maradei, no bairro do Guamá, de que a Prefeitura teria tirado um equipamento utilizado em cirurgias e emergências e levado para o HPSM Mario Pinotti, no bairro do Umarizal, para ser mostrado no evento de reabertura do hospital, cujo prefeito Zenaldo Coutinho fez uma festa fictícia, já que o local ainda não está funcionando de fato.
Segundo as denúncias que chegaram ao DIÁRIO (inicialmente, por WhatsApp e, depois, em entrevistas por telefone), a retirada de um aparelho conhecido como "carrinho de anestesia" do HPSM do Guamá teria causado a morte de dois pacientes, que não puderam ser devidamente atendidos, visto que não havia equipamento disponível no hospital.
No sábado (27), a Prefeitura publicou um texto nas redes sociais acusando o DIÁRIO de mentir em relação ao episódio.
Até aquele momento, o prefeito não sabia que o jornal já tinha tido acesso ao Boletim de Ocorrência (BO) que seis médicos plantonistas do HPSM do Guamá haviam registrado na Delegacia do Guamá.
Com o BO, a acusação da Prefeitura se torna ainda mais absurda e sem fundamento.
O documento policial é claro e não deixa dúvidas. Nele, seis médicos denunciam que o hospital trabalha sem condições de atender o público e citam, literalmente, a falta de "equipamento anestésico", exatamente como o DIÁRIO denunciou.
Internautas que tiveram acesso à postagem, reprovaram a postura da Prefeitura em relação ao caso.

(Imagem: reprodução/Facebook)
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É importante ressaltar um ponto desse caso: não foram dois, três ou quatro funcionários do HPSM que levaram a denúncia desesperada à polícia. Foram SEIS médicos plantonistas.
SEIS profissionais qualificados que dedicam suas vidas para salvar outras vidas.
Quando acusa o DIÁRIO de mentir, a Prefeitura está, na verdade, acusando esses seis profissionais de mentir, já que foram eles os responsáveis por levar a denúncia ao jornal - outro ponto digno de destaque nesse episódio.
Um dos preceitos do bom jornalismo é "ouvir o outro lado". Se um veículo de imprensa vai publicar denúncia contra alguém, é importante dar ao acusado a chance de se esclarecer sobre o assunto.
O DÁRIO fez exatamente isso nas duas reportagens sobre o caso do HPSM do Guamá. Tanto em relação à reportagem publicada na sexta-feira quanto na matéria especial publicada na edição deste domingo, o DIÁRIO fez contato (por e-mail e telefone) com a Secretaria de Saúde, mas não obteve retorno.
Em nota publicada nos órgãos oficiais, a Prefeitura alegou que havia retirado o carrinho de anestesia - ou seja, o equipamento foi, sim, tirado do HPSM do Guamá - por causa de "um problema" que ele havia apresentado.
Para esclarecer o fato, o DIÁRIO enviou e-mail à Prefeitura, perguntando que problema seria esse, o nome da empresa que efetuou o reparo, quanto o serviço teria custado e também solitou a Ordem de Serviço do conserto.
Mais uma vez, a Prefeitura teve a oportunidade de enviar, ao jornal, as informações que julgasse necessárias, mas optou por não das resposta alguma.
Quando (e se) a Prefeitura quiser passar informações ao DIÁRIO, o jornal estará sempre aberto.
Principalmente, num caso tão grave e importante, denunciado à polícia por seis médicos.
Confira também a reportagem da RBATV e ouça a opinião de quem mora próximo ao HPSM do Umarizal e conhece de perto o drama daqueles que dependem da saúde pública:
(Diário do Pará)
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