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Pragas ameaçam plantações no Pará

O ano de 2016 começou com preocupação para os criadores de gado do Pará. Possivelmente por causa do atraso do início do período de chuvas no Estado, houve uma invasão não esperada de lagartas e cigarrinhas, pragas que detonam com as pastagens que alimenta

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O ano de 2016 começou com preocupação para os criadores de gado do Pará. Possivelmente por causa do atraso do início do período de chuvas no Estado, houve uma invasão não esperada de lagartas e cigarrinhas, pragas que detonam com as pastagens que alimentam os animais. As federações e associações ligadas à pecuária já receberam relatos desesperados de criadores que estão vendo seus rebanhos morrerem de fome. De acordo com o zootecnista Guilherme Minssen, da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e consultor da revista AgroPará - publicada pelo DIÁRIO -, a tragédia maior pode ser evitada. “Agora, o importante é pensar no que se precisa fazer para que isso não se repita em 2017”, alerta. Lagartas e cigarrinhas são pragas presentes nos trópicos e que se reproduzem com facilidade em ambientes com calor e umidade - como o Pará.

De acordo com o zootecnista, o fato é que, este ano, as péssimas condições que já se tinha de pastagem pioraram após a seca que diminuiu o replantio. “Sempre chove depois do Natal. Com o atraso, houve uma eclosão acelerada desses insetos, que se multiplicam rapidamente”, explica Minssen.

Ele fez questão de destacar, também, que produtores rurais precisam ter mais noção de agricultura para combater esse tipo de problema. Segundo o zootecnista, a presença desses insetos só consegue ser eliminada no início, já que, a partir do momento em que eles começam a sugar a seiva das plantas, não há mais como deter sua proliferação. “Aquele clima de ‘bafo’ que a gente sente quando está muito quente e chove pouco é ideal para a eclosão dos ovos”, complementa Minssen. Ao mesmo tempo em que sugam, as pragas injetam toxinas que matam a planta. “Há regiões em Paragominas em que já se perdeu mais de 80% das pastagens. É um prejuízo enorme”.

MERCADO

Os efeitos nocivos vão além. Se a vaca não tem o que comer ou come pouco, não fica prenha e não há reposição dos bois no pasto. Ainda não é possível notar anormalidades no mercado de carnes, mas se isso ocorrer, o consumidor vai pagar a conta. “Difícil calcular os problemas. Estamos começando a receber, das regiões, informações sobre os prejuízos”, diz Minssen. Ele explica que o momento é de pensar em como evitar que esses prejuízos se repitam no ano que vem.

Nesse sentido, estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) podem ser cruciais. “Para o atual cenário, essas pesquisas não têm como ajudar. Mas no ano que vem, teremos seca de novo”, destaca. “O importante é não estarmos com as mesmas dúvidas, e sim capacitados para combater o problema”.

(Carolina Menezes/Diário do Pará)

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