Amontoados em uma sala pequena, 25 alunos precisam manter as carteiras encostadas uma as outras para que sobre espaço para a professora se dirigir até o quadro. Nas salas maiores, o problema principal enfrentado pelos alunos são as inúmeras goteiras que despencam do forro de PVC, mesmo com a chuva mais tímida. Interditada por questões de segurança, a quadra de esportes não apenas é coberta pelo mato, como também já não possui parte do muro que a cerca.
Muito longe de apresentar condições ideais de ensino, a estrutura da Escola Estadual de Ensino Fundamental Clube de Mães Sagrada Família oferece risco à integridade física de alunos e professores. Até um olhar desatento para a escola localizada na Rodovia Arthur Bernardes, Pratinha, é capaz de identificar os perigos da estrutura deteriorada do prédio.
Em uma das salas do fundo, localizada em frente ao único banheiro disponível, as goteiras no teto são tantas que parte do chão fica tomado pela água. Ainda que fosse necessária para abrigar uma das turmas do 1º ano que precisa dividir o mesmo espaço com a turma do 2º ano, a sala em questão teve de ser interditada em decorrência da água acumulada.
Mais à frente, no corredor, outra sala mantém as grades cerradas por uma corrente. Apesar de possuir cadeiras, quadro e materiais didáticos, o problema está na estrutura de uma das paredes, que já está praticamente solta do chão, aparentemente em decorrência de uma profunda rachadura no piso. Uma pequena pressão constata que a parede chega a balançar. “A gente já não utiliza essa sala, porque temos medo que essa parede caia em cima de uma criança. É mais uma que está interditada”, aponta a professora Marcela de Souza, 35 anos.

Professores denunciam os riscos de se estudar na Escola Estadual Clube de Mães Sagrada Família. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)
Além de não dispor de biblioteca ou sala de informática, a escola que atende, em três turnos, cerca de 500 alunos com idade entre 6 e 15 anos também não oferece estrutura para a realização das aulasde educação física.
Veja imagens da escola abandonada.
SITUAÇÃO PRECÁRIA FOI RELATADA À SEDUC
Professor na escola há oito anos, Carlos Eduardo Gomes, 44, mal consegue executar as aulas de educação física. “Não tem como fazer a aula na quadra, porque tem muito limo. Estamos sem aulas de educação física há duas semanas, porque não conseguimos um espaço”, conta. Segundo Carlos e a professora Marcela de Souza, várias denúncias acerca das condições do prédio já foram feitas à Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Uma equipe da secretaria chegou a se dirigir à escola para fazer uma vistoria, mas nenhuma solução teria sido apresentada na ocasião.
Através de nota, a secretaria informou que uma equipe técnica da Secretaria Adjunta de Logística Escolar estaria, até o final desta semana, realizando levantamento da situação do espaço físico da Escola Estadual Sagrada Família, localizada no bairro da Pratinha. A nota informa que “com os resultados do levantamento, será montada uma programação de trabalhos de manutenção predial da escola com início ainda parao mês de março”.
E.E. SAGRADA FAMÍLIA
PROBLEMAS
- Goteiras nas salas de aula;
- Ausência de biblioteca;
- Ausência de sala de informática;
- Salas de aula com pouca ventilação;
- Salas de aula utilizadas por duas turmas ao mesmo tempo;
- Presença de cupins em algumas paredes do prédio;
- Quadra de esportes sem uso, em decorrência de problemas na estrutura do muro;
- Banheiro externo em ruínas, sem telhado ou porta,
- Mato acumulado;
- Poças d’água.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar