Dois funcionários da Norte Energia e um piloto de embarcação que prestava serviço à empresa nas obras da Usina de Belo Monte, no sudoeste paraense, estão retidos por indígenas na aldeia Curuatxé, na Terra Indígena Curuaia. Segundo a empresa, os trabalhadores estão presos no local desde a última quinta-feira (10).
De acordo com as lideranças indígenas, o sistema de abastecimento de água na aldeia Curuatí, não funcionou até o momento. Já fariam 6 meses que foi prometido um sistema completo para os indígenas, porém a água que está sendo usada hoje na localidade não é potável e sim, captada direto do Rio Xingu, sem nenhum tratamento.
“O que a gente precisa é de uma resposta da empresa, um comprometimento de quanto será escavado o poço artesiano para que nossa comunidade tenha água potável”, explica Gilson Curuaia. Ainda segundo Gilson, outras aldeias estão sendo afetadas pelo mesmo problema, o gerou revolta nos índios Curuaias, Gilson Curuaria garante que os índios da aldeia não agiram com violência, apenas tiraram peças do moto para que os funcionários não deixem a aldeia, alimentos e abrigo estão sendo ofertados pelos índios para os reféns.
Imagem: Reprodução
Em nota publicada à imprensa, a Norte Energia informou que dois fiscais de obra, um agente de Segurança do Trabalho e um barqueiro foram ao local monitorar ações do Projeto Básico Ambiental – Componente Indígena (PBA-CI) quando foram impedidos de sair.
Ainda de acordo com a empresa, a aldeia Curuatxé possui cerca de 50 habitantes, fica a mais de 400 km das obras da usina, no Rio Curuá, e “é atendida pelos projetos da Norte Energia voltados exclusivamente aos povos tradicionais do Médio Xingu, na região do empreendimento”.
A Norte Energia ainda afirma que “comunicou o fato à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e à Polícia Federal, e aguarda providências para a rápida liberação dos funcionários e prestadores de serviços sequestrados”.
A polêmica
A infraestrutura para saneamento básico das aldeias é parte integrante do Projeto Básico Ambiental Componente Indígena – PBA-CI, previsto ainda na LI - licença de instalação da Hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, a aldeia fica aproximadamente 600km em linha reta, após o rio Iriri no Alto Xingu, nessa região os índios acompanham de perto toda e qualquer obra firmada no PBA-CI, e costumam intervir imediatamente quando percebem atraso ou uso de material que julgam não serem satisfatório para as aldeias.
(DOL, com informações de Felype Adms)
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