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PSM é “pior do que hospital de guerra”

“A saúde pede socorro”. Vestindo camisetas pretas com essa frase, médicos do Pronto-Socorro Municipal (PSM) do Guamá protestaram, na manhã de ontem, contra as péssimas condições de trabalho e atendimento. “Isso aqui é pior do que hospital de guerra, pois

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“A saúde pede socorro”. Vestindo camisetas pretas com essa frase, médicos do Pronto-Socorro Municipal (PSM) do Guamá protestaram, na manhã de ontem, contra as péssimas condições de trabalho e atendimento. “Isso aqui é pior do que hospital de guerra, pois lá é mais organizado”, comparou João Gouveia, diretor administrativo do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). Com o auxílio de um carro-som, faixas e panfletos, a categoria informava sobre os problemas que enfrenta para salvar vidas.

“As pessoas estão morrendo aí dentro e os médicos não têm como ajudar”, ressaltou Gouveia. Antes de começar o ato, os sindicalistas fizeram uma vistoria no hospital e constataram que o quadro continua dramático. “As pessoas estão internadas, em estado grave, na sala de espera e nos corredores. Não há leito. Não há humanidade”, enfatizou.

Reinaugurado há 20 dias, o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14) ainda não está fazendo atendimento de urgência e emergência. Esse é um dos motivos que, segundo os manifestantes, agravam o caos no PSM do Guamá. “Não adiantou ter uma inauguração com pompas se ainda não abriu”, afirmou Wilson Machado, diretor de comunicação e imprensa do Sindmepa.

Segundo ele, desde a “reinauguração” do PSM da 14, os pacientes mais graves do Guamá, estavam sendo remanejados para lá, mas essas transferências reduziram. Outro problema apontado pelos profissionais é a falta de triagem no atendimento.

“Esse hospital não é para atender uma pessoa que vem com uma dor de cólica. Isso é atendimento de UPA (Unidade de Pronto Atendimento)”, disse. Um médico do PSM do Guamá que pediu para não ser identificado denunciou que a superlotação tem levado a muitas mortes no local. “Perdemos pacientes todos os dias. Os corredores estão cheios. Não há como trabalhar assim”. A categoria também denuncia a situação salarial precária dos médicos contratados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).

“O Zenaldo (Coutinho, prefeito de Belém) poderia ganhar o diploma do prefeito que mais paga mal os médicos do país”, comentou Gouveia. Além disso os abonos, que representam 50% da remuneração, estão defasados há 11 anos. Já os plantões extras seguem sem reajuste há 5 anos.

Enviado pelo acompanhante de um paciente à redação do DIÁRIO, um vídeo mostra o caos que se instalou no PSM do Guamá na manhã de ontem. As imagens mostram muitos pacientes em busca de atendimento. É possível ver o sofrimento das pessoas, como um senhor reclamando de dores fortes nas pernas.

Médicos e enfermeiros, não sabem quem atender primeiro. Em um determinado momento, a pessoa que fez o vídeo se dirige a um dos corredores. Deitado em uma maca, sem vigilância nenhuma, aparece um homem deitado, com algemas prendendo seus pés à maca. Nos corredores seguintes, mais sofrimento e pessoas sendo atendidas no improviso. Na parede, ganchos seguram o soro. As cadeiras servem de leitos. O vídeo encerra com outro flagrante: um homem com o braço direito enfaixado, sentado no degrau de uma escada. A Sesma foi procurada pela reportagem, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

(Roberta Paraense / Diário do Pará)

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