Quando a inflação aumenta, os produtos mais atingidos são os da cesta básica”. A afirmação é do economista Edison Roffé e exemplifica a situação atual de aumento nos preços dos alimentos. Como não pode ficar sem a alimentação, o paraense sente no bolso o impacto dos preços dos produtos. Para se ter uma ideia, a cesta básica está custando, em média, R$ 406, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) feita em fevereiro deste ano.
O balanço feito pelo Dieese mostra que todos os produtos da alimentação do paraense tiveram reajustes, com destaque para tomate, a farinha de mandioca, a banana e o pão. “Isso afeta muito famílias de menor poder aquisitivo, nas quais os produtos de consumo básico têm peso relativamente maior”, explica Roffé.
Em todos os casos, é preciso de adaptar. A empresária Isabelly Silva 36 anos, busca formas de economizar. “Antes, eu comprava direto no supermercado, mas agora já venho para a feira atrás de preços menores”, afirma. Para não excluir as frutas do cardápio, a solução que a jovem encontrou foi de substituir algumas, como uva e maçã, por outras regionais, entre elas a acerola e goiaba.
SUBSTITUIÇÃO
O vendedor de frutas José Carlos, 48, trabalha na feira do Ver-o-Peso há 25 anos e relata que nunca viu os preços aumentarem tanto. Há 3 meses, ele vendia por R$ 3 o cacho de banana. Agora, devido ao aumento do frete, precisou aumentar para R$ 6. “Os consumidores reclamam muito, mas é o que dá para fazer, senão a gente fica no prejuízo”, diz.

Já a comerciante Ana Célia, 56 anos, que luta para manter as vendas. “Está difícil passar um preço razoável ao cliente, quando nós mesmos compramos caro”, desabafa. Ela teve de trocar algumas marcas de produtos oferecidos e retirou outros das prateleiras. “Não temos mais produtos de perfumaria e nem de marcas mais caras. Estamos substituindo por marcas mais baratas”, conta. A pesquisa do Dieese mostra que o trabalhador paraense precisa comprometer 50,25% do novo Salário Mínimo de R$ 880,00 para comprar os 12 itens básicos da alimentação.
NA DÚVIDA, PODE PECHINCHAR
Em época de crise e do dinheiro curto, pechinchar é uma tática que pode ser usada para conseguir preços justos na compra de produtos. Afinal, o brasileiro domina bem essa arte de buscar o menor preço. Pesquisa do Instituto DataPopular, mostra que 78% dos brasileiros declaram pechinchar mais atualmente. Isso significa que 8 em cada 10 consumidores só levam um produto após negociar. É um número bem maior que em outros países: como México, Chile, Argentina e Uruguai, cujas médias ficaram em cerca de 40%.
Leonídio Filho, criador do aplicativo de celular e site Dica de Preço, alerta: para se fazer uma boa compra, deve-se ter muita informação sobre o produto. Esse é o primeiro passo para barganhar e levar para casa uma boa compra. Além das buscas feitas on-line, o brasileiro segue ‘chorando’ por maiores descontos cara a cara, da forma mais tradicional possível.
O comerciante Manuel Ferreira Miranda, que trabalha com a venda de alimentos na feira da 25 de setembro, em Belém, há 45 anos. Ele diz que sempre tem aqueles que gostam de “chorar” na hora de conseguir um desconto. “Já vi de tudo aqui. Mas, os que mais aparecem são os ‘pechincheiros’”, brincou.
ALGUMAS DICAS:
Conheça o produto que pretende comprar
Procure saber algumas informações sobre o produto antes da compra. Facilita na hora de fazer uma contraproposta ao vendedor.
Saiba negociar o valor
Ao chegar na banca ou estabelecimento, saiba a quanto o produto pode ser vendido. Pesquise. Chegando ao estabelecimento, pergunte o nome do vendedor que irá atendê-lo. Isso ajuda a criar uma relação de empatia.
Não tenha vergonha
Normalmente, os descontos só acontecem quando são solicitados pelo comprador. Por isso, não deixe de pedir!.
Saiba os horários para comprar
Sempre que possível compre com bastante tempo. Isso permite manter a calma em uma negociação, além de favorecer a pesquisa de preços. Feiras livres também costumam ter horários mais baratos.
Pague em dinheiro
Compras com dinheiro em mãos facilitam a pechincha

(Alice Martins Morais/Diário do Pará com informações de Roberta Paraense)
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