Manter as contas pessoais equilibradas, na atual situação econômica do país, é bem difícil. Nesse momento, é preciso redobrar o cuidado com o dinheiro, principalmente quando tratamos de contas bancárias, cartões de crédito e investimento. Alguns cuidados são necessários para evitar o círculo vicioso das dívidas. Para a economista Patrícia Godoy, primeiramente é preciso fugir do consumismo exagerado.

Ela explica que existem três perfis de consumidores: o endividado, o equilibrado e o investidor. Pense em qual desses vocês se encaixa para mudar o seu comportamento e obter a sonhada independência financeira. “A primeira pergunta a se fazer, em qualquer situação, é se precisa das coisas e qual a melhor forma de pagá-las”, afirma a economista.
Outra dica importante: fuja do cheque especial. “O consumidor precisa entender que esse dinheiro não é dele, mas sim um empréstimo que o banco oferece”, alerta Godoy. De acordo com ela, isso significa que só deve ser usado em casos de emergência, por causa dos altos juros cobrados pelos bancos.
O cartão de crédito é outro recurso que pode virar um vilão. “O problema não é o cartão em si, pois ele pode até ser um grande aliado, se usado com responsabilidade”, Orienta a consultora. Ele se torna um problema quando seu limite é maior que a própria renda. O número de parcelamentos é uma questão a ser pensada também.
PARCELAS
A economista orienta a dividir o valor dos produtos em no máximo 3 vezes e sempre projetar o dinheiro comprometido com essas contas. Com as finanças controladas, o que resta é poupar e investir. Assim, estará prevenido para eventualidades negativas. “Saber como e onde investir é o caminho mais importante”, aconselha Patrícia Godoy.
Miriam Amaral agora tenta equilibrar as contas atrasadas. (Foto: Janduari Simões/Diário do Pará)
"O inesperado afetou minhas finanças”
A professora Miriam Amaral, 37 anos, sempre comprou no cartão de crédito, que “estourava” constantemente. “Antes de ter filha, então, eu era muito compulsiva”, lembra. De tempos em tempos, a situação saía do controle. E ela demorava um período até se restabelecer. E assim as condições permaneceram até o fim do ano passado, quando alguns fatores afetaram suas finanças. Primeiro, ela entrou de licença para fazer doutorado, o que fez o seu salário diminuir. E sua filha começou a estudar, ocasionando gastos extras. E, como os preços dos supermercados não pararam de aumentar, tudo se descontrolou.
Sem dinheiro reserva, o jeito foi cortar o supérfluo para cobrir os gastos imprevistos. “Paramos de viajar, de ir para shopping. Agora, temos de focar nas contas prioritárias”, diz Miriam. Isso também significou deixar de lado os 3 cartões de lojas de departamento que possui. Suas faturas estão totalmente atrasadas há meses e os juros preocupam a professora. “Uma conta de 600 reais agora já está 900,00”, afirma.
Depois de anos de sufoco, Neide controla finanças com pulso firme. (Foto: Janduari Simões/Diário do Pará)
“Comigo,é tudo na ponta do lápis”
Neide Negrão, 52 anos, comerciante, já ficou no vermelho há 10 anos, com contas acumuladas que se tornaram uma bola de neve. “Pensei que nunca conseguiria me livrar das dívidas, mas superei”, desabafa. Depois da má experiência, passou a ter controle com os gastos. Há 4 anos já vem, inclusive, mantendo um cartão poupança com a filha de 25 anos Rayza Negrão, bióloga.
Dessa forma, elas têm sempre uma reserva guardada para imprevistos, o que faz com que estejam passando pelo aumento de custo de vida sem maiores abalos. Além disso, cada membro da família tem um cofre que abre todo fim de ano para consumos extras.
Para mãe e filha, o segredo é pagar tudo à vista. “Assim, se não tem dinheiro, não compramos”, afirma Neide. Além disso, as duas não gastam com desperdícios. É tudo na ponta da caneta, com direito a levar lista de compras e a calculadora ao supermercado.
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