Com 3 filhos adolescentes, o assistente de estúdio Isomar Nascimento, 55 anos, sabe bem como a compra de remédios pesa no bolso. “Não tem como fugir. Se os filhos adoecerem, temos de ir à farmácia”, afirma. Entretanto, os medicamentos, a partir de hoje, custarão 12,5% mais caros no Brasil. O reajuste foi autorizadopelo Governo Federal.
“Pela 1ª vez em 10 anos, os medicamentos sofrem reajuste acima da inflação, que este ano está em 10,36%”, explica Geraldo Monteiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan). Com o aumento, a orientação é que o consumidor invista cada vez mais em pesquisa. “A população deve procurar os remédios em redes de farmácias que ofereçam descontos e promoções”, afirma Monteiro. O supervisor administrativo José Wilson Magno da Silva, 54, é diabético.

O supervisor Wilson Magno faz questão de pesquisar preços nas farmácias próximas à sua casa. (Foto: Marcelo Lelis/Diário do Pará)
Apesar de receber descontos concedidos pelo Governo Federal na aquisição dos remédios para a doença, ele sempre faz pesquisa nas farmácias antes de compra os outros medicamentos que precisa. “Alguém paga no final. Por isso, temos de ser conscientes”, observa. Morador da travessa do Chaco, no bairro do Marco, em Belém, ele tem 5 farmácias próximas à sua casa, o que facilita a pesquisa. “Tenho de comprar um remédio para glicemia, só que o Governo não oferece”, afirma.
IMPACTO
Segundo Geraldo Monteiro, o reajuste anual dos remédios sempre ocorre em março. Porém, por ser um item que não pode ser substituído, quem define o percentual de reajuste é Governo Federal. “O aumento gera impacto para a indústria farmacêutica e para a população”, diz. A média mundial de impostos sobre os medicamentos é de 6%. No Brasil, esse valor é de 30%. Ou seja, a cada R$10 pagos pelo consumidor, R$ 3 são de impostos.

REAJUSTES
Os reajustes anuais são estabelecidos com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), outros 3 fatores são usados para definir os aumentos dos preços. São eles: produtividade, concorrência das classes terapêuticas e forças econômicas, como câmbio e energia elétrica.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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