Uma vergonha nacional para o Pará: o pior município em saneamento básico de todo o Brasil fica no nosso Estado. Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Trata Brasil - o mais respeitado do setor - mostra que Ananindeua vive o mais grave quadro de saneamento básico, entre todas as cidades do País. Pior: desde 2013, o município não teve nenhuma melhora nessa área.
Moradores de Ananindeua vivem na lama
Os dados são divulgados todos os anos pelo Trata Brasil, com base em relatórios do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Os estudos mostram que o prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, não investiu um único centavo na coleta de esgoto da cidade. Ou seja, 0% foi destinado para o tratamento de resíduos nos bairros da cidade. Para piorar, o município não conseguiu atingir nem 1% de novas ligações de água. A pesquisa foi feita em todo o País, entre as 100 maiores cidades brasileiras. De acordo com o Trata Brasil, Ananindeua vive um alarmante retrocesso.
O descaso é visível por todos os lados. Para onde se olha vê-se esgoto escorrendo à céu aberto. O Ranking do Saneamento Básico nas 100 Maiores Cidades do País mostra que, durante a gestão de Pioneiro, foram realizadas apenas 11 novas ligações de água tratada para toda a população. A situação é gravíssima. Para se ter ideia, para que o povo de Ananindeua tivesse bom acesso ao serviço, seriam necessárias mais de 100 mil ligações.
DOENÇAS
Com cerca de 500 mil habitantes, Ananindeua sofre, também, com o despejo de dejetos diretamente nos valões. Na época das chuvas, o esgoto a céu aberto se mistura à água da chuva e muitas ruas ficam alagadas, colocando em risco a saúde da população e, principalmente, das crianças. Os estudos do Trata Brasil mostram que são muitas as doenças vinculadas à falta de saneamento. As enfermidades interferem na qualidade de vida da população e até mesmo no desenvolvimento do País.
As doenças são transmitidas pelo contato ou ingestão de água contaminada, contato da pele com o solo e lixo contaminados. A presença de esgoto, água parada, resíduos sólidos, rios poluídos e outros problemas também contribuem para o aparecimento de insetos e parasitas que podem transmitir doenças.
Outra má notícia para os moradores de Ananindeua: no Brasil, a média de investimentos em saneamento nos últimos 5 anos foi de R$ 96,5 milhões, ou R$ 28 por habitante a cada ano. Em Ananindeua, esse valor foi de apenas R$ 13 por habitante - menos da metade da média nacional. “As cidades mais carentes ficam cada vez mais atrasadas”, diz o presidente do Trata Brasil, Édison Carlos.
META
Metade da população brasileira ainda não tem esgoto coletado em suas casas e cerca de 35 milhões de pessoas nem sequer têm acesso a água tratada no país. O índice (49,8%) coloca o Brasil em 11º lugar no ranking latino-americano deste serviço, atrás de países como Peru, Bolívia e Venezuela. A meta estabelecida pelo Plano Nacional de Saneamento Básico é atingir 93% de coleta no país em 2033. Segundo o levantamento, metade dos R$ 12,2 bilhões investidos em saneamento no país ficou concentrada nas cem maiores cidades brasileiras. Mas, segundo o estudo, 64% das cidades analisadas investem menos de 30% do que arrecadam com a tarifa de água e esgoto cobrada dos consumidores.
(Luiza Mello/Diário do Pará)
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