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Cuidado: automedicação pode levar à morte

Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz, apontam que os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil, ficando à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados. Es

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Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz, apontam que os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil, ficando à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados. Estima-se que, em todo o mundo, mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou são vendidos de forma inadequada.

A automedicação é considerada um problema de saúde pública em vários países, incluindo o Brasil. Muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina. A combinação inadequada de medicamentos pode ainda fazer com que um remédio anule ou potencialize o efeito do outro.

O uso de medicamentos de maneira incorreta ou irracional pode causar, ainda, reações alérgicas, dependência e até a morte. Outra consequência perigosa é o agravamento da própria doença que se quer combater. A utilização indevida de antibióticos, por exemplo, pode ocasionar o aumento da resistência de micro-organismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos.

HEMORRAGIAS

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os analgésicos, os antitérmicos e os anti-inflamatórios representam as classes de medicamentos que mais intoxicam. Em tempos de epidemia de dengue, zika, chikungunya e H1N1, onde os sintomas são muitos parecidos, todo cuidado é pouco.

O farmacêutico clínico e professor universitário Patrick Luís Cruz de Sousa, lembra, que caso se manifestem os sintomas clássicos, dessas doenças o paciente deve ficar alerta e procurar logo um profissional de saúde para atendimento. “A automedicação é muito arriscada porque os sintomas são parecidos, sem falar no risco de hemorragias no caso da dengue”, destaca.

Ele explica que o uso de ácido acetilsalicílico (AAS, também chamado de aspirina) pode ter consequências graves em casos de dengue. “O paracetamol usado com frequência em casos de febre, em doses elevadas, pode levar o paciente a um quadro de hepatite medicamentosa”, alerta Patrick Cruz.

Os analgésicos, anti-inflamatórios, sedativos, calmantes e relaxantes musculares estão entre os mais utilizados na automedicação. No contexto atual, o farmacêutico pode ser um ponto de apoio para triagem e orientação dos casos mais graves, e encaminhar a outros profissionais. “Além disso, o profissional pode dar suporte ao paciente”, detalha. “Inclusive, prescrevendo medicamentos em alguns casos de condições de saúde autolimitadas”, diz.

PERIGOS

A automedicação pode levar a erros de diagnósticos, à escolha de uma terapia inadequada e pode retardar o reconhecimento de uma doença,
com a possibilidade de agravá-la.

Os medicamentos que já foram anteriormente prescritos podem não ser mais efetivos para uma reincidência da doença. A não ser que o médico já tenha orientado desta forma.

Sintomas iguais podem ter causas diferentes. Os sintomas são apenas um dos indicativos de problemas de saúde. Antes da prescrição, a consulta médica, o exame clínico e a realização de exames complementares são fundamentais.

Interações medicamentosas podem ter consequências graves para a saúde. O médico tem competência para avaliar que tipos de medicamentos podem ser tomados em conjunto.

Os médicos devem ser cautelosos ao fazer suas prescrições, usando letras legíveis ou prescrições impressas, além de orientar sobre o uso correto e os cuidados quanto à substituição dos medicamentos prescritos. (Fonte: abc.med.br)

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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