Pela janela da olaria de 113 anos, o que o ceramista Ciro Croelhas, 51 anos, enxerga, está longe de ser um atrativo para os clientes. Às proximidades do Canal do Paracuri, a grande quantidade de lixo e lama que ocupam parte da rua Santa Isabel – também conhecida como 6ª rua – prejudica não apenas o comércio, mas também a vida dos moradores do bairro do Paracuri I, no distrito de Icoaraci.
Habituado a vender sua produção para comerciantes que revendem peças de cerâmica, Ciro viu o negócio mantido na família há três gerações ser prejudicado pela falta de saneamento no bairro. Já sem asfalto em uma parte, a rua não oferece condições para que os clientes cheguem até a olaria. “Tanto de um lado, quanto de outro o acesso está muito ruim”, pontua. Nas áreas onde já não há mais asfalto, existem enormes buracos e lama.
Nas laterais do canal, o mato alto impera. Para Ciro Croelhas, tais problemas poderiam ser facilmente solucionados. “A gente vê que são coisas que não seriam tão difíceis de resolver, bastaria que tivessem interesse”, observa, sobre a inércia do poder público. A reportagem do DIÁRIO solicitou posicionamento da prefeitura de Belém sobre as denúncias dos moradores do Paracuri, mas até o fechamento desta edição
não obteve retorno.
RISCOS À SAÚDE
O comerciante Manoel Neuton, 51 anos, vê no lixo acumulado próximo ao canal do Paracuri, prejuízo para o comércio que mantém. “A gente paga IPTU, água, luz, montamos uma empresa legalizada e somos obrigados a conviver com essa situação”, lamenta.

Já a artesã Regina Leia Ramos, 55 anos, se preocupa com os mosquitos que podem se reproduzir nos pneus presentes no local. “Eu zelo pela minha casa, mas a doença está na minha porta”, comentou, sobre o receio das infecções trazidas pelo mosquito Aedes aegypti. (Foto: Cezar Magalhães / Arquivo)
Segundo Leia, uma obra realizada pela Prefeitura de Belém teria danificado o asfalto. “Se eles não iam terminar essa obra, por que destruíram tudo?”, pergunta.
(Cintia Magno / Diário do Pará)
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