Após a apreensão da aeronave, os veículos das ORM iniciaram uma chantagem editorial contra a inspetora em exercício da alfândega do aeroporto de Belém, Cláudia Gorresen Mello, que passou a ser alvo de coação por parte dos acusados. Ela seria a responsável pelo parecer final sobre os procedimentos fiscais a serem adotados no caso.
A ideia era coagir e intimidar ao máximo a funcionária pública para que não desse parecer contrário aos interesses dos Maiorana. Os ataques tinham como alvo a empresa Freire Mello, de propriedade de Arthur Mello, esposo da auditora. As reportagens e notas nos veículos das ORM, notadamente no jornal “O Liberal”, colocaram
a construtora Freire Mello como responsável por crimes ambientais, mas não houve nos textos das notícias, a apresentação de provas, dados ou testemunhos que confirmassem tais afirmações. A tentativa de intimidação de “O Liberal” contra a auditora repercutiu nacionalmente e despertou a revolta de várias entidades de classe que se solidarizaram com Cláudia Mello, manifestando repúdio ao jogo baixo, inclusive com atos públicos em defesa da auditora com participação maciça da categoria em nível municipal, estadual e federal.
COAÇÃO
O juiz Antônio Carlos Almeida Campelo recebeu a denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o Romulo Maiorana Jr., o médico Vasco Fernando de Menezes Vieira e o editor-chefe do jornal O Liberal, Lázaro Cardoso de Moraes,pela coação. Os acusados foram absolvidos em janeiro de 2014, pelo mesmo juiz Campelo. O MPF recorreu para reverter a sentença no TRF-1. Agora, o caso aguarda decisão do relator Olindo Menezes.
Os três se transformaram em réus em ação penal e, se forem condenados, podem ser punidos com até quatro anos de reclusão e multa. Segundo o MPF, a coação foi cometida em meio ao procedimento administrativo da Receita que identificou fraudes na compra não declarada da aeronave.
De acordo com o MPF, em 10/12/12, o marido da auditora, Arthur de Assis Mello, sócio da construtora Freire Mello, foi procurado pelo médico Vasco Vieira, que tentou fazer com que Arthur influenciasse na liberação da aeronave, afirmando que Romulo Jr. estaria “aborrecido com a situação”. No mesmo dia, o médico entrou em contato com a auditora fiscal e disse “(...) que, como amigo do Arthur, estava muito preocupado com o que poderia acontecer com o Freire Mello”.
O texto da ação criminal ressalta que o médico estava, “utilizando-se de mensagens como a acima transcrita para coagir a servidora pública a não criar empecilhos para tanto, sob pena de haver qualquer tipo de represália contra a construtora de seu marido”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar