Há uma semana, o DIÁRIO publicou reportagem de capa com uma denúncia que causou tremores por todo o Estado: “Jatene tem 10 vezes mais funcionários do que o governador de São Paulo”. O caso é grave e assustador. Para administrar o Pará, que tem 8 milhões de habitantes, Simão Jatene conta com 664 pessoas trabalhando - ou não - na Casa Civil do Estado. Enquanto isso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin - do mesmo partido de Jatene, o PSDB -, tem apenas 65 funcionário no mesmo órgão, num Estado habitado por 45 milhões de pessoas - quase 6 vezes a população paraense. Para bancar todo esse povo, Jatene já torrou nada menos do que R$ 165,5 milhões, desde que assumiu o comando do Pará, em 2011.
Agora, outra bomba explode sobre a administração perdulária de Jatene. O DIÁRIO teve acesso à lista completa dos empregados da Casa Civil do Pará, com todos os salários. Daquela multidão de 664 funcionários, sabe quantos são assessores especiais de Jatene? Trezentos e quarenta e sete. Sim, leitor. Você leu direito: 347. E quer saber quantos assessores especiais tem o governador de São Paulo, o Estado mais rico e populoso do País? Um.
O que Simão Jatene faz lembra o filme “A Lista de Schindler”, no qual um homem, numa atitude admirável, seleciona alguns judeus para serem salvos do holocausto. O problema é que, ao contrário de Schindler, “A Lista de Jatene” tem como único propósito beneficiar a si mesmo e a seus amigos e aliados políticos, gerando prejuízos aos cofres públicos e, consequentemente, ao povo paraense.
No meio dessa turma, é difícil encontrar alguém que ganhe menos do que R$ 3 mil por mês. Os mais agraciados ganham acima de R$ 10 mil, como a coordenadora de Núcleo - na identificação do Governo, essa é a única referência à função - Maria Braglia, que recebe R$ 16.820 por mês. Há de tudo na privilegiada lista de Jatene: técnicos, jornalistas, parentes de deputados, de alguns membros do Poder Judiciário, políticos derrotados nas urnas, ex-prefeitos condenados a devolver dinheiro aos cofres públicos e até gente acusada, na Justiça, de integrar quadrilha.
ABENÇOADOS
Um dos políticos abençoados por Jatene na Casa Civil é o deputado estadual Raimundo Santos, do Partido Ecológico Nacional (PEN). Santos preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa, instituição que fiscaliza - ou deveria fiscalizar - os atos do governador. O deputado tem, na assessoria de Jatene, um cunhado (Orivaldo Pinheiro), uma filha (Keila Santos) e um genro (Eliaquim Pinheiro).
Já a deputada estadual Cilene Couto (PSDB) - filha do ex-senador Mário Couto - tem, na Assessoria Especial do governador, uma filha (Juliana Couto) e dois irmãos (Mário Couto e William Couto). O senador tucano Fernando Flexa Ribeiro emplacou como assessor especial do governador um dos filhos, Fernando Flexa Ribeiro Filho.
ARTISTAS
Metido a cantor, Simão Jatene não deixou de incluir em sua longa lista de assessores especiais alguns artistas, como os músicos Sebastião Tapajós e Nilson Chaves. E também fez um agrado ao seu grande amigo e parceiro de publicações do Governo, Romulo Maiorana. Sobrinho de Rominho - como o empresário gosta de ser chamado -, Romulo Maiorana Prantera, 33 anos, é outro assessor muito especial do governador.
A lista de Jatene continua. Outros assessores são Adelino Monteiro - marido da secretária estadual de Administração, Alice Monteiro -; Polyana Vieira - filha do ex-comandante da Polícia Militar, João Paulo Vieira -; e Maria Alcídia Freire - mulher do ex-prefeito de Ipixuna do Pará, José Orlando Freire (PSDB). Para quem alimenta o sonho de, um dia, ser considerado um bom gestor, o governador Simão Jatene está muito longe de seguir uma regra básica de um administrador competente: montar uma equipe enxuta e eficiente.

(Ana Célia Pinheiro e Klester Cavalcanti/Diário do Pará)
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