No Dia do Índio, comemorado nesta terça-feira (19), 72 indígenas das etnias Tembé, Gavião e Surui Aikewara participaram, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, da cerimônia de outorga de grau da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade do Estado do Pará (Uepa). A formação dos professores indígenas é um passo importante na conquista de direitos dessa população.
Da etnia Tembé, João Pedro Soares, 71 anos, falou do orgulho de ter o filho, Raimundo Nonato Soares, como o primeiro membro da família com título de graduado. “Eu me sinto muito honrado. Foi uma luta muito intensa para ele, que já trabalhava como professor. Agora vai trabalhar formado. Todos viemos prestigiar esse momento”, disse. Minutos antes de a solenidade começar, o Surui da aldeia Sororó Amonete Surui, 25 anos, estava ansioso. “É uma conquista muito importante. Não é fácil, mas conseguimos. Vou poder ajudar a minha aldeia e buscar mais qualificação”, enfatizou.
Na entrada dos graduandos, cada etnia cantou e dançou nas próprias línguas e músicas. O Hino Nacional foi cantado na língua dos povos Gavião e Surui Aikewara.
Veja um momento:
Em discurso representando a etnia Gavião, Concita Guaxipiguara Sompre lembrou que, assim como os indígenas aprenderam com os professores da Uepa, os professores também aprenderam com eles. “Saímos daqui com um canudo que nos permite estarmos em sala de aula. Trabalharemos o diferenciado do saber científico e do conhecimento tradicional. Seremos capazes de produzir nossos próprios materiais didáticos. Sairemos daqui professores conscientes das nossas responsabilidades. Hoje estamos formando duas turmas, a turma de Licenciatura Intercultural indígena e a turma de professores que sai daqui mais conhecedora dos nossos costumes”.
(Agência Pará)
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