Eram quase 2 horas da madrugada da última terça-feira (19). Mais de 200 famílias e centenas de animais dormiam na Fazenda Cedro, em Marabá, sudeste paraense. De repente, cerca de 50 homens quebraram o silêncio da noite. Fortemente armados, eles renderam os seguranças, invadiram o terreno, arrebentaram as trancas das portas com chutes e ameaçaram homens, mulheres e crianças. Os criminosos levaram pertences das residências e dos funcionários e roubaram gado. Além disso, depredaram o patrimônio privado e queimaram várias casas. Tudo ficou destruído. Após serem coagidos, os moradores foram obrigados a deixar suas casas. A fazenda foi tomada pelos invasores.
As famílias de trabalhadores que ainda permanecem na área da fazenda invadida temem novos ataques, pois desde 2009, quando começaram acontecer os crimes, o sossego acabou. O que antes acontecia somente na calada da noite, hoje ocorre também durante o dia, na propriedade da empresa paraense Agropecuária Santa Bárbara.
C. é funcionário da empresa e prefere não ser identificado, com medo de represálias. Ele relata que o maior objetivo das invasões é a ocupação pelos criminosos. O ataque mais recente, no dia 19, teve residências quebradas e troca de tiros com a polícia, mas ninguém foi preso. “Estamos de mãos atadas, porque os roubos são constantes. Apontam a arma para a cabeça dos funcionários e para as crianças”, ele diz. “Estamos todos psicologicamente abalados. É uma facção criminosa muito perigosa que vem agindo. E as autoridades não fazem nada”, denuncia.
OCORRÊNCIAS
De acordo com C., todos os ataques foram registrados na Polícia Civil. As investigações que teriam sido feitas resultaram em 18 mandados de prisão preventiva. Mas, segundo o denunciante, apenas dois mandados foram cumpridos há mais de 1 ano. “Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são responsáveis por todos os ataques”, acusa o funcionário. A reportagem do DIÁRIO DO PARÁ tentou contato, por telefone, ontem, com integrantes da direção do MST, sem sucesso.
REINTEGRAÇÃO É AGUARDADA
O funcionário da Agropecuária Santa Bárbara, C., diz que a Justiça já expediu a liminar de reintegração de posse da Fazenda Cedro, no entanto, até o momento, a determinação não teria sido cumprida. “O Governo do Estado, responsável pela reintegração, alega que não tem recursos para retirar os invasores”, relata.
A Agropecuária Santa Bárbara, proprietária da Fazenda Cedro, é uma das maiores do agronegócio do país, tendo seu forte na pecuária. São dezenas de fazendas espalhadas pelos municípios de Marabá e Eldorado do Carajás, no sudeste do Estado. O grupo atua também do plantio de soja e milho, dentre outros produtos. A assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) informou, em nota, que o Governo do Estado cumpriu 73 reintegrações em 2015, em todo o Pará. Explica ainda que a Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Marabá abriu, de janeiro a abril de 2016, seis inquéritos para investigar ocorrências na Fazenda Cedro, com 14 pessoas indiciadas.
“A Segup seguirá uma agenda de reintegrações que demandam custos e outras medidas administrativas", finaliza o texto sobre a situação.
OUTROS ATAQUES
28/03 - O ataque ocorreu por volta de 1h30, quando um grupo de cerca de 60 homens, armados com espingardas, invadiu o escritório, laboratórios e alojamentos dos funcionários da Fazenda Cedro. Os invasores chegaram a atear fogo em bens móveis e imóveis e expulsaram os trabalhadores e seus familiares da propriedade.
17/04 - Um avião que transportava participantes de um leilão, do Maranhão até a cidade de Marabá, no sudeste paraense, foi recebido a tiros na tarde do dia 17, ao pousar na Fazenda Cedro. Ninguém ficou ferido. De acordo com a Polícia Militar, o ataque foi realizado por trabalhadores rurais do assentamento Helenira Rezende, localizado próximo ao endereço da fazenda.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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