Em meio ao cenário de violência que toma conta do Estado, as delegacias estão longe de ser o local de proteção para os cidadãos que precisam de ajuda policial. Em operação realizada em conjunto pela Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Pará (Adepol) e Sindicato dos Policiais Civis do Pará (Sindpol), nesta sexta-feira (22) e sábado (23), delegados e policiais flagraram a situação de abandono em diversas unidades de segurança. Até mesmo as Unidades Integradas do Propaz (UIPP), recém inauguradas, funcionam somente durante o dia, já que no período noturno não há efetivo policial.
Na UIPP do Tenoné, em Belém, havia somente um investigador fazendo a segurança do prédio, às 22h. Nesse horário, a Unidade não dispõe de vigia, policiais ou viaturas. Quem precisa fazer ocorrência é orientado a voltar no dia seguinte ou se deslocar para a Seccional de Icoaraci.
Jonathan Silva, 22 anos, passou por isso. Ele teve a casa invadida por assaltantes na semana passada e recorreu à Unidade para registrar o boletim de ocorrência. Ao chegar à UIPP foi informado de que o local não estava funcionando. O rapaz ficou revoltado com o descaso. “Numa situação como essa, a gente se sente ainda mais desprotegido”, reclama. “Pra que prédio novo, se não funciona quando a população mais precisa?”, questiona. Para uma UIPP funcionar de maneira adequada, seria necessária uma equipe com 5 delegados, 5 escrivães e 14 investigadores. Ocorre que quase todas funciona com menos da metade desse efetivo.
AGENDA
A blitz seguiu até as seccionais de Outeiro, Icoaraci, Cidade Nova e encerrou em Marituba. Na seccional da Cidade Nova um agente administrativo estava realizando trabalho de escrivão, medida essa, de acordo com a associação, adotada pelo Governo para cortar gastos. A última seccional visitada na noite de ontem, em Marituba, a comissão da blitz constatou situação de abandono estrutural na unidade. A sala do delegado está tomada de infiltrações e o teto quase desabando, banheiro interditado, entre outros problemas. Os atendimentos estavam sendo feitos. Havia escrivão, delegado e um investigador e pelo menos cinco pessoas estavam tentando fazer registro de ocorrência. Mas no local ficou constatada a falta de estrutura para os profissionais trabalharem.
REUNIÃO
De acordo com a Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Pará (Adepol), nesta segunda-feira (25), será realizada uma reunião para definir novos locais a ser visitados. A operação começou no dia 14 e faz parte das ações conjuntas entre Adepol e Sindpol, dentro do indicativo de greve da categoria, iniciada após assembleia geral ocorrida no dia 4 deste mês pelos sindicatos.
EFETIVO NA POLÍCIA CIVIL
Atualmente, o Pará conta com 600 delegados, 1.100 investigadores e 570 escrivães, o que não chega a 1/3 da necessidade do Estado. “Hoje, os investigadores não se deslocam para verificar ocorrência de crime porque não há efetivo suficiente”, afirma Ivanildo Santos.
(Leidemar Oliveira e Carla Azevedo/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar