Esta terça-feira (26) é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Doença sem cura que, segundo o Ministério da Saúde, atinge cerca de 30 milhões de brasileiros, o equivalente a 15% da população do país.
Em termos gerais, a pressão arterial é a força que o sangue exerce na parede das artérias. Quando essa força está aumentada, as artérias oferecem resistência para a passagem do líquido e desencadeia a hipertensão arterial.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, ela acontece quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg, ou 14 por 9. A pressão considerada normal é 12 por 8.
Os fatores de risco principais estão associados a hábitos alimentares irregulares, com alto consumo de sal; sobrepeso e obesidade; tabagismo; diabetes; envelhecimento e fatores hereditários.
Essa última condição é vista pelo analista de sistemas Antonio Lopes Serra, de 31 anos, como a causa de ser hipertenso. Há 11 anos, ele descobriu ser portador da hipertensão arterial. "Dos dois lados, toda a família da mãe e uma parte da família do pai possuem hipertensão", afirma Antonio.
Dores no peito, pontada na cabeça, na área da nuca e cansaço extremo quando praticava esportes foram os primeiros sintomas que o levaram a procurar o médico e logo receber o diagnóstico.
A preocupação agora é com a filha, de quatro anos. "Tento passar a ela bons hábitos alimentares, evitando dar refrigerantes e comidas industrializadas, procurando sempre dar produtos naturais", ressaltou.
Em entrevista a um programa de TV vinculado ao Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), a cardiologista Claudine Feio explica que é preciso educar as crianças sobre os riscos da ingestão de sal que acaba acumulando com o passar dos tempos.
A médica alerta também que a hipertensão arterial, acomete homens e mulheres, sendo que eles apresentam os sintomas cerca de uma década mais cedo.
O uso irregular de medicamento, assim como a não aferição da pressão constantemente são condicionantes para o aumento de problemas mais graves que tiveram como origem a pressão alta, a exemplo do Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O cardiologista Anderson Rodrigues ressalta a importância que deve ser dada para a doença, os fatores que acarretam a hipertensão e o que as pessoas devem fazer para não serem vítimas de uma doença que pode levar ao óbito. "A hipertensão é mais comum em pessoas que têm entre 60 e 70 anos , mas há casos em que crianças e adolescentes que se alimentam mal e são sedentárias acabam sendo vítimas da doença. A condição clínica multifatorial, que se caracteriza pelos níveis elevados e sustentados de pressão arterial, é o que acarreta a hipertensão, por isso devemos criar hábitos saudáveis e fazer exames regularmente", disse Anderson Rodrigues.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há 9,4 milhões de pessoas hipertensas no mundo e 54% das doenças cerébro vasculares (como derrame) são ocasionadas pela hipertensão, sendo que 47% das doenças relacionadas ao coração são angina (estreitamento de artérias) e infarto.
O cardiologista diz ainda que a melhor maneira de prevenir é mudar o comportamento, como focar na perda de peso, redução da circunferência abdominal, não fumar e sair do sedentarismo. No entanto, segundo a Associação Brasileira de Hipertensão, o número de pessoas que controlam a pressão arterial é baixo. Há apenas 10% a 20% de hipertensos que têm a pressão controlada.
O médico alerta ainda para a quantidade de sal ingerida, que influi diretamente para que a doença se manifeste. "É importante reduzir o sal, já que o sódio contido nos alimentos industrializados e refrigerantes, por exemplo, são maléficos para a saúde", afirmou Anderson Rodrigues.
A OMS definiu que a quantidade considerada máxima para ser ingerida por uma pessoa ao dia é de 5 gramas o que corresponde a 2 gramas de sódio, mas hoje o brasileiro consome, em média, 12 gramas de sal por dia, o que compromete a sua saúde.
Outro fator importante que o médico destaca envolve as grávidas, pois controlar a pressão arterial durante os 9 mesesde gestação é muito importante. A mulher pode desenvolver doenças de hipertensão gestacional, como a eclâmpsia.
(DOL)
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