No gabinete que ainda ocupa no 3º andar no prédio da Reitoria da Universidade Federal do Pará (UFPA), o doutor em Engenharia Mecânica Carlos Maneschy já arruma as gavetas. Na semana que vem, oficializa a renúncia ao cargo e começa a preparar-se para um novo desafio. Aos 61 anos, casado e pai de 3 filhos, Maneschy vai estrear na política partidária. Filiou-se ao PMDB e apresenta-se como pré-candidato à prefeitura de Belém. Em entrevista ao DIÁRIO, o engenheiro explicou as razões da pré-candidatura, falou da conjuntura nacional e rebateu as críticas pela renúncia à reitoria que acabou antecipando o processo eleitoral
interno na instituição.
Veja a entrevista:
P: Por que essa decisão de se filiar a um partido?
R: A filiação ao PMDB foi em decorrência de alguns fatores. Primeiro, um convite que recebi para ser pré-candidato à prefeitura. Levei um tempo avaliando essa situação toda, e nessa avaliação, ponderei algumas variáveis que pareciam importantes. A primeira delas, foi a necessidade de ter que renunciar à Reitoria, que era uma coisa que não estava no horizonte da minha decisão. Depois ponderei a história, o tamanho do partido e sua capilaridade. Entendi que, considerando essas circunstâncias todas, o caminho melhor seria a escolha pelo PMDB.
P: Esse convite veio de alguém em específico?
R: Sim, do ex-ministro Helder Barbalho.
P: O seu nome, então, está posto para disputar o cargo?
R: Sim. Estamos trabalhando com a possibilidade. O primeiro movimento necessário é a renúncia (à Reitoria), o que em mais algumas semanas será feito. Entregarei minha carta-renúncia ao Ministério da Educação. A partir daí, começarei a me debruçar sobre as atividades que são necessárias para discutir ou tornar viável essa pré-candidatura.
P: Você é um homem da academia. Como está lidando com essa transição?
R: Em primeiro lugar, é bom entender que a política, na sua nobreza, é inerente ao ser humano. Não há como fazer nenhum avanço civilizatório, se não for pela política. Eu sou um acadêmico de formação, tenho toda a minha vida atrelada à Academia. Boa parte da minha vida se passou em movimentos políticos importantes. Há um momento na vida em que você precisa fazer escolhas, tomar decisões.
P: Que decisões?
R: Muitas vezes, você precisa sair da posição da crítica passiva ou reflexiva e se apresentar também para participar da política mais diretamente. E esse papel de acadêmico não se contrapõe e não exclui a política. E tenho certeza de que a experiência acadêmica será importante. Estou seguro com a possibilidade de ser pré-candidato à prefeitura de Belém. Não vejo nenhum tipo de incoerência ou incompatibilidade entre essas duas atividades.
P: Você vai concorrer com candidatos que já foram testados nas urnas. Como está se preparando para se apresentar ao eleitor que ainda não lhe conhece?
R: Nós temos que analisar isto sobre dois focos: o foco daquilo que é positivo e daquilo que não é tão positivo. É verdade que o desconhecimento da minha figura, por ser um acadêmico e não estar envolvido na política partidária mais tradicional. Como é que se supera esta dificuldade? Se apresentando para que as pessoas possam conhecer você e, ao mesmo tempo, conhecer aquilo que você pensa e é capaz de fazer. Por outro lado, também este é um momento favorável na percepção da população Há uma expectativa de mudanças.
P: Você acha que pode ser beneficiado por ser um elemento novo na campanha?
R: Com certeza. Eu acredito muito nisso. Essa é uma das variáveis que eu ponderei na decisão de uma pré-candidatura.
P: O PMDB que é um partido extremamente heterogêneo. Como você se identifica com a sigla?
R: A democracia pressupõe exatamente a diversidade. Todos os partidos consolidados e mais importantes, aqui e fora do País, têm linhas diversas de pensamento. Isso é muito produtivo. Eu acho que partido é isso: é a pluralidade também estabelecida dentro da Congregação Partidária. Ela deve ser, inclusive, estimulada sempre.
P: Há, por exemplo, divergências internas do PMDB em relação ao impeachment da presidente Dilma. Você, particularmente, é favorável ou é contrário?
R: Eu acho que as razões que estão postas não seriam suficientes para afastar a presidente. Mas penso que ela deve cair mais por uma questão que tem a ver com desgaste político, com a própria crise econômica. Quer dizer, não é um fato isolado, que fez com que as coisas se desdobrassem da forma como se desdobraram. A política estabelece que o Congresso julgue e isso não é um julgamento criminal, é um julgamento político. E com relação às questões, se houve ou não houve crime de responsabilidade, há interpretações divergentes em relação a isso. Mas esse é o caminho que foi tomado, agora nós temos que seguir adiante.
P: Você foi criticado pela decisão de antecipar a sua saída da reitoria e antecipar o processo eleitoral interno. Como vem respondendo a essas críticas?
R: A crítica vem de dois lados. Primeiro, alguns têm interesse na crítica para fazer disputa política. E a maioria faz a crítica por desinformação completa do processo. Esta decisão, absolutamente pessoal, tem de ser respeitada. Existe a lei eleitoral que impõe que eu tenha que renunciar até 4 meses antes da eleição. E tem a lei que trata da escolha de reitores, que determina que, em caso de vacância do cargo de reitor, o Conselho Universitário tem até 60 dias para escolha de um novo reitor. Eu apenas decidi que ia ser pré-candidato. Toda consequência dessa minha decisão está baseada na lei.
(Rita Soares/Diário do Pará)
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