Em meio ao caminhar acelerado de quem buscava pelo local exato para prestar homenagens, a música que saía do saxofone do motorista aposentado Samuel Costa, 80 anos, ecoava, na manhã de ontem, pelos corredores do cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá, em Belém. Sem a presença da própria mãe no dia dedicado a elas, a música tocada em homenagem a todas as mães sepultadas no local foi a maneira encontrada para acalmar o próprio coração saudoso.
Mesmo diante da dificuldade de permanecer parado por muito tempo entre o fluxo de pessoas que transitava com ramos de flores em mãos, o jardineiro Antônio Chagas, 71, contemplou a música tocada pelo senhor sentado ao lado de uma sepultura.
EMOÇÃO
Com lágrimas nos olhos, ele pouco conseguia falar, envolvido nas lembranças dos dias vividos ao lado da sua mãe. “Ela gostaria muito de ouvir essa música”, disse, diante do saxofonista, que tocava ‘Vós Sois o Lírio Mimoso’, música que homenageia Nossa Senhora de Nazaré. “É muito emocionante ouvir uma coisa dessas”, disse. Pouco distante da música, a família da diarista Sheila Santos, 39, se reunia ao redor do túmulo da sogra. “Com certeza ela está acompanhando a nossa reunião de onde estiver”.
Unidos com o objetivo de enfeitar o local onde a ente querida foi sepultada, filhos e netos organizavam flores e afastavam o mato que insistia em crescer ao redor do túmulo. “Toda mãe fica feliz quando vê sua família reunida. Espero que ela esteja feliz também”, desejou Sheila. Para o vendedor Carlos Pimentel, 66, as homenagens às mães não devem ocorrer apenas em vida. Na data destinada a elas, faz questão de levar flores ao túmulo da mãe e da ex-esposa.
(Kezia Carvalho/Diário do Pará)
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