Até dois meses atrás, a vida de Jenifer H., 33 anos, era diferente. Foram 23 anos de dependência química. Envolvida com álcool e drogas, a aparência dela, hoje, reflete uma trajetória sofrida e incompatível com a idade. “Perdi minha infância na rua. Fui presa e moradora de rua. Cheguei ao ponto de pensar em me matar. Mas, agora, voltei a sonhar e tenho planos”, diz. Jenifer atribui a mudança radical ao tratamento que buscou, junto com o companheiro, Michael S., 31 anos. Longe das ruas e das drogas, o casal está internado no Centro de Recuperação Pão da Vida, em Marituba, Região Metropolitana de Belém.
DOAÇÕES
Assim como o casal, outras 12 pessoas estão no local, em tratamento contra a dependência química. A instituição existe há 10 anos, é filantrópica e abriga pessoas sem recursos financeiros. Para se manter, o Centro recebe doações. De acordo com o diretor do Pão da Vida, Fernando Miranda, 37 anos, o único recurso é o trabalho dos internos nos cruzamentos de trânsito pela cidade. “Eles sempre vão em grupo, com faixas, pedir ajuda”, explica.
Mas o dinheiro arrecadado nem sempre é suficiente. Além dos alimentos, o grupo precisa de recursos para arcar com outras despesas, como energia elétrica e remédios. O Pão da Vida está localizado na rua Alfredo Calado, bairro Mirizal. O terreno é próprio e foi doado há 4 anos. Apesar de ser grande, o sítio necessita de manutenção e mais acomodações. “Estamos precisando de pessoas que acreditem que o ser humano pode mudar. Queremos aumentar o espaço e ter condições de ajudar mais gente”, diz Miranda.
TRATAMENTO
A maioria dos acolhidos são moradores de rua. O período mínimo de internação é de 9 meses. Fernando explica que o tratamento é basicamente espiritual. O interno assiste a palestras, participa de cultos e ocupa o tempo com afazeres domésticos. Os dois primeiros meses são de total isolamentodo mundo exterior.
CONHEÇA O PÃO DA VIDA
O Centro de Recuperação Pão da Vida fica localizado na Rua Alfredo Calado, 1003, no bairro Mirizal, em Marituba. Para conhecer ou ajudar, basta entrar em contato com Fernando ou Rosimere pelos telefones 98335-0382 e 99276-6551
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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