Em março, a dona de casa Eliene Ksam, 59 anos, moradora do bairro da Pedreira, em Belém, passou 8 dias com dengue. No mesmo período, toda a família da cozinheira Aglai Avis, de 53 anos, moradora do Marco, teve zika vírus. Uma não conhece a outra, porém elas têm muito em comum: foram vítimas de doenças transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, e residem perto de canais onde há grande quantidade de lixo acumulado e a limpeza não é suficiente.
FALTA EDUCAÇÃO
“Os moradores se reúnem para capinar o mato da calçada. Por outro lado, há muita gente mal educada que joga o lixo na beira do canal. O carro do lixo até passa, mas não demora a acumular novamente”, reclama Eliene, que mora perto do canal da travessa Antonio Baena, na Pedreira. A cozinheira Aglai compartilha da mesma ideia: o lixo acumulado na esquina do canal da avenida Visconde de Inhaúma, no bairro do Marco, se tornou grande risco. “Com certeza o mosquito veio desse lixão. Desde que se formou essa situação, toda a vizinhança adoeceu”, afirma.
Veja imagens do lixo acumulado no canal.
Aglai também foi vítima de dengue. “Tenho o maior cuidado dentro de casa, mas do lado de fora a realidade é diferente”, denuncia.
Segundo a Prefeitura, há 2 meses a fiscalização em ruas e canais da cidade tem sido intensificada para tentar reduzir o acúmulo de lixo. Denúncias de descarte ilegal de lixo e entulho podem ser feitas pelo telefone 156.
1.280 CASOS SUSPEITOS DE DENGUE
As realidades de Eliene Ksam, moradora da Pedreira, e Aglai Avis, moradora do Marco, se estreitam quando a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) revela que os bairros do Marco, Pedreira e Sacramenta, estão entre os locais de maior incidência de dengue em Belém.

Eliene Ksam mora na Pedreira e teve dengue em março. (Foto: Carmem Helena)
Os dados divulgados pela Sesma mostram que, somente nos primeiros 4 meses deste ano, na capital paraense, 1.280 casos foram notificados como suspeitos da doença, sendo 252 confirmados. No mesmo período, o Aedes também foi responsável por 1.014 casos de zika registrados e 4 confirmados na capital. Além disso, 76 casos suspeitos de chikungunya e um caso importado (doença adquirida em outra cidade) foi confirmado. Segundo David Rosário, coordenador da Divisão de Controle de Endemias da Sesma, o levantamento é feito a cada 2 meses em mais de 20 mil residências, nos 8 distritos de Belém.
O trabalho é realizado por agentes de controle de endemias que avaliam a ocorrência de focos e criadouros do mosquito. Até o dia 14, a Secretaria realiza a terceira edição do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa).
(Michele Daniel/Diário do Pará)
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