Em 10 anos, em toda a Amazônia brasileira, foi desmatada uma área de 148.536 Km², ou seja, perdemos uma extensão de terra verde equivalente a 15 mil campos de futebol. Os dados foram divulgados ontem, no Centro Regional da Amazônia, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Belém. Entre os anos de 2004 e 2014, estudos apontam que os Estados do Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins e parte do Maranhão e Mato Grosso tiveram uma redução de 3,7% de suas florestas.
Já os alertas de desflorestamentos, analisados entre o período de dezembro de 2015 a janeiro de 2016, colocam o Pará no topo do ranking, com 1 Km² de áreas desmatadas, seguido por Mato Grosso (623,59 Km²) e Rondônia (544,31 Km²).
MUDANÇA
Na última década, o padrão de desflorestamento vem mudando. Hoje é possível encontrar no lugar de extração de madeira ilegal, áreas desmatadas para pastagem, mineração, agricultura, entre outras atividades econômicas. E tudo isso é possível saber através dos projetos DETER-B, um sistema criado pelo Inpe em 2008, em parceria com o TerraClass, produzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa da Agropecuária (Embrapa).
O DETER-B tem ajudado a alertar os órgãos competentes, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), sobre os pontos de desmatamento provocados pelas mãos dos homens, em áreas longe dos centros urbanos. Segundo Marcos Adami, pesquisador do Inpe, o alerta é transmitido quase em tempo real. “Hoje nossa visão é de uma resolução de 60 metros sobre as áreas desmatadas”, explicou.
TECNOLOGIA
O aviso é emitido em até 3 dias. Adami diz que se forem observadas as dificuldades geográficas no tempo em que as informações são passadas, já é possível conter os desmatamentos. “Com 3 dias, o Ibama já tem conhecimento. Ele pode agir”, ressaltou. A tecnologia é única no País e foi criada por 90% de pesquisadores do Pará.
Em contrapartida, o TerraClass tem por base a interpretação das imagens de satélite. Conforme o pesquisador Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa, durante o tempo de estudo houve um acréscimo de capoeira (vegetação secundária), aumento da agricultura em pastagens e a duplicação da área plantada e de agricultura mecanizada. “Nosso objetivo é nortear as linhas de créditos, mostrando onde estão e o uso destas áreas desmatadas”, resumiu.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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