O Governo do Estado é acusado de tentar calar a Polícia Militar (PM). Servidores da corporação tentam entender o motivo da divulgação de um ofício, no último dia 10, determinando, sem explicações, que todos os policiais estejam “de prontidão, armados e equipados (uniforme 5A)”, de anteontem até domingo (15). Entretanto, justamente no dia 15, a categoria promoverá um ato de repúdio, no centro da cidade, contra as péssimas condições de trabalho e as mortes de PMs ocorridas recentemente.
Policial militar afastado para exercer mandato na Assembleia Legislativa, o deputado Tércio Nogueira (Pros) classifica a atitude do Poder Executivo como “afronta” e “sabotagem”. “É claro que os militares encararam isso com revolta”, critica o parlamentar. Como militares fardados não podem participar de qualquer tipo de movimento de protesto, a organização do ato, que sairá da escadinha da Estação das Docas rumo à Praça da República a partir das 8h, está mobilizando as famílias dos PMs para que participem do movimento.

Tércio Nogueira, deputado, chama atitude de "afronta". (Foto: divulgação)
SURPRESA
Presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar, o cabo Francisco Xavier afirma que o ofício, assinado pelo Departamento Geral de Operações da PM, subjugado à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), foi recebido com surpresa pelos militares. “Comentaram que poderia ser algo relacionado a possíveis manifestações geradas pelo impeachment. Mas, pelo que estamos vendo, está tudo dentro da normalidade”, comentou o policial, especulando sobre a motivação para a determinação. Só entre janeiro e outubro do ano passado, 10 policiais militares foram mortos no Pará. Este ano, um dos casos registrados envolve um policial de folga que foi morto dentro da própria casa, no bairro do Tenoné, em Belém.

A cópia do Ofício Circular informa a determinação de deixar todo o efetivo da Polícia Militar de prontidão até domingo (15). (Foto: divulgação)
SEGUP
Em nota, assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) afirma que a prontidão da tropa é uma atribuição legal da PM e utilizada em todo Brasil para “salvaguardar a ordem pública e a segurança da sociedade diante de cenários de instabilidade política como a vivida atualmente”. Disse, ainda, que Boletim Geral da PM oficializou a prontidão e programou, em caso de necessidade, o acionamento de militares “do dia, administrativo e operacional”.
(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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