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Médico pede cautela com pílula do câncer

A esperança para o tratamento do câncer renasceu há cerca de 1 mês, com a sanção do Governo Federal, da lei de nº 13.269, que autoriza o uso da Fosfoetanolamina sintética por pacientes com tumores malignos. No entanto, especialistas advertem que, devido o

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A esperança para o tratamento do câncer renasceu há cerca de 1 mês, com a sanção do Governo Federal, da lei de nº 13.269, que autoriza o uso da Fosfoetanolamina sintética por pacientes com tumores malignos. No entanto, especialistas advertem que, devido o medicamento não ter bases científicas em humanos, ele pode oferecer riscos à saúde, e até mesmo trazer efeitos colaterais. “O tratamento é imunológico, ou seja, teoricamente ele mataria a célula cancerígena”, explica o oncologista Márcio Almeida. Contudo, o médico diz que não há garantia de benefício, pois não está comprovada cientificamente a eficácia do medicamento.

Na década de 90, que a fosfoetanolamina passou a ser produzida de forma sintética. Os estudos foram iniciados pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, já aposentado, no Instituto de Química de São Carlos, administrado pela Universidade de São Paulo (USP). O remédio passou a ser comercializado pela PDT Pharma, laboratório que foi autorizado a produzir a Fosfoetanolamina apenas para testes.

Desde então, a justiça obriga laboratório oferecer a droga, mesmo sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — que regulamenta o setor de medicamentos. “É um risco para saúde. A droga não tem teste clínico em humanos. Não sabemos ainda o efeito contrário dela”, ressaltou Almeida.

PRECEDENTE

Segundo o especialista, com as ações judiciais, a situação da distribuição fica indefinida. De um lado, a justiça obriga o fornecimento. De outro, a Anvisa proíbe a venda, enquanto os estudos clínicos não forem concluídos. “Um dos questionamentos é quantidade da substância. Como saber a dosagem correta?”, questiona o médico.

Para Mário Almeida, essa decisão federal abre um precedente perigoso, onde outros remédios experimentais também poderão ser aprovados sem os testes exigidos. Almeida se mantém cético. “Pela complexidade do câncer, com mais de 100 tipos e mecanismos moleculares diferentes, é difícil acreditar que uma substância vá resolver tudo”, ressalta.

COMERCIALIZAÇÃO

Apesar da fosfoetanolamina sintética não ter sido testada cientificamente em seres humanos, as cápsulas foram entregues de graça a pacientes com câncer por mais de 20 anos. Em junho de 2014, a USP interrompeu a distribuição e os pacientes começaram a recorrer na justiça. Em 2015, a briga foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a produção e distribuição do produto. Há 1 mês, foi sancionada a lei que autoriza o uso da Fosfoetanolamina sintética para pacientes com tumores malignos.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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