fotos: ricardo amanajás
Pesquisa do Dieese aponta que o preço da carne bovina subiu 7% este ano. DIÁRIO foi a 4 mercados para pesquisar os preços de 4 tipos de cortes bovinos
ALICE MARTINS MORAIS
Com o valor da cesta básica tendo constantes reajustes, um dos produtos que mais impactam no bolso do consumidor paraense é a carne. O ex-jogador de futebol Arinelson Nunes, 43 anos, optou por diminuir o consumo de carne vermelha. Alguns cortes de maior qualidade, como o filé e o contra-filé, foram substituídos por outros de menor custo, como o picadinho. “A gente substitui a carne por frango e peixe, além de incrementar a comida com batata, farofa e ovo, por exemplo”, conta ele, que jogou no Paysandu, Santos e Flamengo. Arinelson pesquisava o preço da carne no Mercado da Pedreira.
A realidade do ex-atleta é compartilhada por muitas famílias paraenses. Pesquisa divulgada ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), mostrou que o preço da carne bovina teve um reajuste acumulado em 2016 de quase 7%. O estudo mostra que o preço do produto de primeira – coxão mole, chã, cabeça de lombo e paulista – passou de R$ 20,19, em dezembro de 2015, para R$ 21,52, em abril deste ano. A alta também é sentida pelos comerciantes. “Cada dia que passa é pior, a gente tem de sempre dar um jeito para continuar vendendo”, reclama Jorge André, 41 anos, dono de um açougue na Feira do Guamá. Segundo ele, os clientes têm dado preferência a preços menores, mesmo que sejam produtos de menor qualidade.
FIADO
Outros vendedores lançaram mão do fiado. É o caso de Jonoel Santos, 45, que comercializa carne bovina no Mercado de São Brás. Apesar de vender no crediário para alguns clientes, ele admite que isso nem sempre é sinônimo de vendas aquecidas. “As pessoas continuam comprando, mas, quando chega a segunda quinzena, os negócios ficam mais parados”.
Muita gente busca várias soluções criativas para manter o almoço na mesa e driblar o preço da carne bovina. “Não gosto de soja, mas acrescentei para economizar e busco receitas na internet para aproveitar as sobras”, conta Gorete Salomão, 40 anos, secretária. A medida, segundo ela, ainda agrega a questão da alimentação saudável.
A tendência de inflação continua firme neste mês de maio. O DIÁRIO fez pesquisa sobre o preço de alguns cortes em diferentes pontos de Belém e constatou que a variação de preço, de um local para outro, pode chegar a R$ 5. Em alguns estabelecimentos, o valor, por quilo, da carne de primeira, chega a custar R$ 25. Confira ao ladoum quadro comparativo.
COMPARE OS PREÇOS:
MERCADO DO GUAMÁ

(Foto: Elcimar Neves/Arquivo)
Chã: R$ 19
Cabeça de lombo: R$ 18
Alcatra: R$ 20
Agulha: R$ 10
MERCADO DA PEDREIRA

(Foto: Ricardo Amanajás/Arquivo)
Chã: R$ 21
Cabeça de lombo: R$ 20
Alcatra: R$ 22
Agulha: R$ 12
MERCADO DE SÃO BRÁS

(Foto: Alzyr Quaresma/Arquivo)
Chã: R$ 23
Cabeça de lombo: R$ 22
Alcatra: R$ 24
Agulha: R$ 15
FEIRA DA 25
Chã: R$ 21
Cabeça de lombo: R$ 20
Alcatra: R$ 25
Agulha: R$ 15,40
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