Para diminuir os gastos sem deixar de garantir a tradicional comemoração junina, a aposentada Jussara Ferreira, 63 anos, decidiu reunir-se com um grupo de senhoras de seu condomínio. Como combinado, cada integrante deve ficar responsável por levar uma comida típica da época. Além da divisão do trabalho, a estratégia utilizada é uma forma de driblar preços mais altos. “Não vai sair pesado para o bolso de ninguém”, acredita.
Presença frequente nos supermercados de Belém, Jussara conhece bem as variações dos preços. Diferente da rotina mantida anos atrás, hoje ela aponta que a escolha do produto não é mais pela melhor marca, mas sim pelo menor preço. “Nem precisa comparar com o ano anterior. Toda semana os preços aumentam”, atesta, ao comprar o material do bolo de macaxeira.
VARIAÇÃO
Se comparados os valores apontados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no ano de 2015, com os preços encontrados pelo DIÁRIO nos supermercados, ontem, será fácil perceber o aumento considerável no preço de alguns ingredientes juninos, enquanto outros, acredite, estão mais baratos (veja ao lado).
Em 2015, um pacote com 500g de milho branco custava em média R$ 2,74. Agora, o pacote com a mesma quantidade e da mesma marca custa R$ 4,35 em um supermercado de Belém. Utilizado em muitos pratos, o leite condensado também demonstra inflação nos preços: a lata de uma mesma marca passou de R$3,89, em 2015, para R$4,85 em 2016.
A professora Laís dos Anjos, 52 anos, não abre mão da pesquisa de preços antes de comprar os ingredientes do mingau de milho. “Está bem mais caro, mas eu procuro comprar a marca que estiver mais em conta”, revela. “A gente sempre dá um jeito, porque não dá para ficar sem o mingau”, admite.
MINGAU DE MILHO - TRADIÇÃO X PREÇO
De olho na tradição, a vendedora de mingau de milho Pollyana Thaís, 20 anos, espera um aumento nas vendas. Ela conta que não repassou aos clientes a inflação no preço do material. “Se aumentar agora, não consegue vender”. Cada copo é vendido por R$2,50. “Até agora as vendas estão razoáveis”, avalia Pollyana.

(Cintia Magno/Diário do Pará)
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