Dois dias após o assalto violento a um ônibus da linha Icuí-Guajará, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, os rodoviários que trabalham no local dizem que estão em pânico e muitos ameaçam deixar o posto. O assalto aconteceu no último sábado (18), por volta das 22h, quando os bandidos chegaram atirando contra o motorista que só não foi atingido por que a bala acertou o GPS do ônibus. Ontem, o condutor não conseguiu trabalhar, porque ainda está muito abalado com o episódio. Os entrevistados desta reportagem não quiseram ser fotografados, por medo de represálias dos criminosos.
No final da linha do Icuí, o medo ronda os rodoviários. Segundo eles, os assaltos já se tornaram rotina, mas agora passaram a ser feitos com mais violência. “Agora eles já chegam em grupo, atirando e dando coronhada”, relata o cobrador Edmilson Carvalho. O rodoviário trabalha há 4 anos na linha do Icuí-Guajará e já foi assaltado 5 vezes. Com medo de morrer, ele decidiu pedir transferência de posto de trabalho. Outros rodoviários também estão fazendo a mesma coisa. “Quero ir para uma área menos perigosa”, explica.
10 VEZES VÍTIMA
O rodoviário Cláudio Santos é fiscal no final da linha e em 6 anos de trabalho já foi assaltado mais de 10 vezes. Ele conta que no último dia 13 foi alvo de bandidos que levaram celular e dinheiro. No penúltimo assalto 5 elementos renderam todos os rodoviários e levaram a renda dos ônibus. “A verdade é que aqui ninguém consegue trabalhar sossegado. Além disso, o nosso psicológico está totalmente abalado”, reclama.
POLICIAMENTO
Ontem, duas viaturas da Polícia Militar (PM) faziam a segurança do local, mas os rodoviários afirmam que isso só ocorre quando tem um assalto de grande repercussão, mas que depois os policiais vão embora. Motoristas e cobradores de Ananindeua afirmam que já realizaram diversas manifestações contra a insegurança no transporte coletivo, mas, até agora, de nada adiantou.
SINDICATO PEDE INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (Sintram) entrou com um pedido de intervenção no Ministério Público para cobrar medidas de segurança das autoridades. A proposta do Sintram é que os fins de linha com maior incidência de assaltos, como no Icuí, Águas Lindas e Águas Brancas, sejam transferidos para locais mais seguros e que se construam terminais rodoviários únicos, agregando diversas linhas de bairros próximos.
A reivindicação se justifica, porque atualmente os fins de linha de ônibus funcionam de forma improvisada, no meio da rua e sem nenhuma estrutura de trabalho ou segurança para a categoria. “Queremos um local adequado de trabalho, com bastante movimentação e que nos ofereça o mínimo de segurança”, diz o diretor do Sintram, Wuélem Ferreira.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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