A possibilidade de um reajuste no valor da passagem de ônibus, em Belém, desagrada os usuários. Para decidir se haverá aumento e de quanto será, o Conselho Municipal de Transporte se reunirá, hoje, às 15h, na sede da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob). A proposta feita por este órgão municipal é de que o aumento seja de 11,48%. Assim, a passagem, que hoje custa R$ 2,70, passaria para R$3,01.
Já o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Setransbel) propõe que o preço seja reajustado para R$3,25, ou seja, 20,47% a mais do que o atual valor. Nas ruas, usuários de ônibus reclamam do possível reajuste e dizem que falta melhorar não só os ônibus como também as paradas. Em uma que fica na avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, a cobertura está quebrada. “Quando chove ou o sol está forte, a estrutura não adianta nada”, reclama Elizabeth Lima, 32 anos, advogada.
Para chegar ao trabalho, Elizabeth usa 2 ônibus e diz que o aumento vai pesar no seu bolso. “Se Belém tivesse infraestrutura, certamente seria um investimento, mas não tem”, opina. O açougueiro Rafael Monteiro, 30, que trabalha na estrada da Ceasa e tem de utilizar 4 ônibus diários, tenta estimar quanto pagará a mais pelo transporte. “Se aumentar pra R$ 3, será mais R$1,20 por dia”.
USUÁRIOS
Com a tarifa atual de R$ 2,70, o usuário que utiliza duas conduções diárias e não tem vale transporte, está pagando por mês R$ 129,60. O impacto em relação ao salário mínimo é de 14,73%. Na avaliação do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), as duas propostas de reajuste levam em consideração o equilíbrio financeiro das empresas. A do Setransbel, por exemplo, segundo o Dieese, está relacionada com o aumento de custos principalmente dos combustíveis, peças pneus e despesas de pessoal.
Porém, de acordo como Dieese, nenhuma das propostas atende ao que determina a Lei Orgânica do Município, que prevê que a tarifa deve levar em consideração o poder aquisitivo da população, mensurado principalmente pela inflação, que este ano é de 10,61%. Segundo o Dieese, para se adequar à inflação, a tarifa não deveria passar de R$3. Fazem parte do Conselho de Transporte entidades como o Dieese, Semob, Setransbel, Associação Paraense de Pessoas com Deficiência (APPD), Comissão dos Bairros de Belém (CBB), entre outras instituições. Decisão do Conselho será encaminhada para avaliação final do prefeito da capital paraense, Zenaldo Coutinho.
(Roberta Paraense / Diário do Pará)
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