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Bernardo Sayão sofre com o descaso público

Não é necessário mais do que alguns segundos às proximidades do canal da avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, em Belém, para que o forte odor proveniente da água não tratada comece a incomodar. Tomado pelo mato alto e pelo lixo, a própria aparência

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Não é necessário mais do que alguns segundos às proximidades do canal da avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, em Belém, para que o forte odor proveniente da água não tratada comece a incomodar. Tomado pelo mato alto e pelo lixo, a própria aparência do canal deixa evidente a ausência de limpeza e manutenção. No trecho que vai da avenida José Bonifácio até a travessa Padre Eutíquio, a água do canal já fica permanentemente parada. Sem ter para onde escoar, garrafas de plástico e sacos de lixo ficam represados entre as estruturas das pontes de madeira ou em meio ao mato.

Para quem mora na região, fica a indignação pela situação enfrentada. “Isso aqui tem mais de ano que ninguém vem limpar”, estima o motorista Beco Cei, 64 anos, sendo 40 vividos no bairro do Guamá. Beco conta que trabalhadores ligados à Prefeitura Municipal de Belém (PMB) foram vistos recentemente no local, porém eles se restringiram a limpar apenas o lado oposto da via, onde ficam localizados os portos. No canal nada foi feito. O morador não tem dúvidas de que a simples limpeza da valeira já melhoraria bastante a situação da população, porém faz questão de ressaltar que o local não tem recebido a devida atenção do poder público.

CALÇADAS

O frentista Bruno Nascimento, 30 anos, trabalha no posto localizado na esquina da Bernardo Sayão com a José Bonifácio há apenas um mês. Porém, esses 30 dias já foram suficientes para ele constatar por diversas vezes os transtornos causados pelo canal. Até a chuva mais amena já é suficiente para alagar boa parte do posto de combustível. “A água escorre da José Bonifácio trazendo todo o lixo de lá. Como não tem como escoar, alaga tudo isso aqui”, explica. Bruno conta que sempre que a região alaga, muitos motoristas acabam deixando de abastecer no posto, já que ficam receosos de passar com os carros pela água.

Para tentar solucionar o problema, os funcionários do posto tentam ao máximo escoar a água com auxílio de vassouras. Como se não bastassem os problemas de saneamento, os pedestres ainda enfrentam um sério risco ao tentar andar pelo local, já que não há calçadas na lateral da rua. Aos 71 anos de idade, o aposentado Antônio das Neves não esconde o receio sentido sempre que ele precisa andar pelo local, prática que se repete semanalmente. “O certo era ter uma calçada para a gente andar, mas já tem muitos anos que isso é assim”, garante.

PREFEITURA

Em nota, a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) informou que, para combater alagamentos, está realizando obras de macrodrenagem na Bacia da Estrada Nova e que na Av. Bernardo Sayão, no trecho entre Rua Augusto Correa e Av. José Bonifácio, estão sendo realizadas obras para cravação de estacas prancha e instalação de aduelas. A previsão é que as obras nos trechos citados sejam concluídas até dezembro”. A nota informa, ainda que ações de limpeza continuam ao longo da Av. Bernardo Sayão pelos próximos dias, sem data para ser concluída.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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