Quando os ponteiros do despertador do publicitário Paulo Lobo, 54 anos, marcam 5h da manhã ele já acorda com algumas tarefas pesadas para enfrentar logo no início da manhã. Morador do conjunto Costa e Silva, ele levanta, enche a caixa d’água com um balde e volta a se deitar uma hora depois. “Todos os dias tem sido assim, desde do ano passado, quando ficamos sem água regularmente em casa”, conta o funcionário público. Paulo diz que geralmente gasta R$ 3 em cada garrafão de água e que gastou R$ 2 mil na instalação da caixa d’água, mas desistiu de comprar uma bomba elétrica, com receio do aumento na conta de luz.
De acordo com os moradores do conjunto, desde o ano passado eles sofrem com o abastecimento de água irregular. A causa seria uma falha no sistema de proteção do sistema elétrico da Estação Bolonha, deixando 500 mil pessoas sem o fornecimento de água em Belém e Região Metropolitana, em julho de 2015.
Composto por 460 apartamentos, o Costa e Silva, no bairro da Marambaia, em Belém, tem parte dos seus moradores passando drama, segundo conta a presidente da Associação de Moradores do Conjunto, Sônia Picanço. “Tenho 52 anos e em todo o tempo que vivo no conjunto nunca tínhamos passado por uma situação semelhante”, lamenta.
REUNIÃO
Sônia conta que ouviu da Cosanpa a justificativa de que os prédios foram construídos irregularmente, por isso a água não chega aos andares mais altos. Ela, porém, contraria essa versão. “Nossas casas sempre foram construídas de forma vertical e tem estrutura para isso, tanto é que esse problema não existia”, justifica a moradora.
Com a água escassa, as dificuldades são mais intensas para Rosana Reis, de 43 anos, que tem uma filha portadora de necessidades especiais, de apenas 5. “Já fui até na Defensoria Pública para pedir por uma solução desse problema. A gente se sente impotente, pois não sabe a quem recorrer”, desabafa. Segundo Walber Belém, 55, a associação de moradores do conjunto emitiu um ofício à Cosanpa para que ela fosse representada em uma reunião no conjunto, mas a entidade não apareceu. “A Cosanpa sempre desconversa e nunca resolve”, completa.
(Wal Sarges/Diário do Pará)
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