As crianças renais crônicas em tratamento no Hospital Ophir Loyola (HOL) não poderão mais contar com o serviço de transplante de rim.
O motivo é que o hospital, que era o único do Sistema Único de Saúde (SUS) da região Norte a realizar o procedimento com doadores vivos, decidiu transferir os transplantes pediátricos para o Hospital Oncológico Infantil.
Além disso, o procedimento requer retaguarda de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas no HOL não há mais pediatria na UTI.
Segundo a diretora da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará, Belina Soares, a informação veio à tona no dia 17 de junho passado, quando uma criança estava na vez para realizar o transplante, mas acabou perdendo o órgão.
Em comunicado enviado à Central de Notificação e Captação de Órgãos (CNCDO), a diretoria do HOL informou sobre a mudança, diz Belina. O tratamento dos pacientes no Ophir Loyola passou a ser apenas para os pós-transplantados.
PROBLEMA
O problema é que no Hospital Oncológico o procedimento também não pôde ser feito porque a instituição não dispõe de nefropediatra, especialista capacitado para acompanhar crianças renais crônicas.
Segundo a Associação, há 28 crianças fazendo hemodiálise, das quais 30% estão na fila aguardando a cirurgia, com tempo médio de espera de 5 anos.
Os locais mais seguros para realizar a cirurgia de transplante de rim em crianças são os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.
“A maioria das crianças não pôde se deslocar para outras cidades porque o custo é muito alto”, afirma Belina. “Essa situação trará uma consequência desastrosa para quem faz hemodiálise”, lamenta.
Amanhã, um grupo de mães que se sentem prejudicadas com a situação vai se reunir na sede da Associação para denunciar o problema.
A diretora da entidade adianta que vai encaminhar a denúncia ao Sistema Nacional de Transplantes. A assessoria de comunicação do Ophir Loyola foi procurada, na noite de ontem, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
RESPOSTA
Em nota, a Sespa informou que está concluindo os procedimentos necessários para a transferência dos serviços de transplantes infantis para instituições de saúde do Estado.
A secretaria ressaltou ainda que, quando ocorrem impedimentos de realização de transplante, nenhum órgão é perdido: eles são encaminhados para aproveitamento em outros centros de transplante.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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